As principais metodologias de gestão que você deve conhecer

Por incrível que pareça, muitas pessoas ainda parecem achar que só existe uma forma de gestão. O detalhe é que a verdade aponta justamente para o lado contrário! São diversas as práticas disponíveis, cabendo ao gestor identificar qual é o momento certo para usar cada uma. Afinal, não existe fórmula mágica para o sucesso!

Neste post, você vai conhecer mais sobre algumas metodologias de gestão que definitivamente podem fazer a diferença nos resultados tanto de uma equipe como de toda a empresa. Curioso? Então confira!

Na gestão de pessoas: autocrática, participativa ou facilitadora

Vamos começar com as devidas apresentações? É simples: enquanto a gestão autocrática é centralizada, aquela em que o próprio gestor é responsável pela tomada de decisões, a gestão participativa permite que os colaboradores tenham mais voz e autonomia.

A verdade é que a gestão de pessoas é um campo que gera polêmica. Afinal, quando se trata de seres humanos, cada caso é um caso. Por isso, vale ressaltar desde já: por mais que muitos sejam a favor da gestão participativa, nem todas as equipes estão preparadas para essa metodologia.

Um time composto por profissionais menos experientes e de colaboradores que apresentam muitos conflitos interpessoais não são indicados para uma gestão de pessoas participativa. Nesses casos, é bem possível que chegar a uma decisão final se torne um processo muito demorado, ainda podendo surgir argumentos contrários qualquer que seja a resolução.

Por outro lado, é importante destacar que você não precisa aderir 100% a uma ou outra metodologia de gestão de pessoas. Assim, você pode adotar o chamado continuum da liderança participativa, composto por algumas etapas gradativas, que vão desde o não participativo a altamente participativo.

O que as gestões autocrática e participativa têm em comum? Em ambas, a figura do líder é indispensável como elemento centralizador, que caminha à frente dos demais. Em última instância, cabe ao líder tomar as decisões e definir o que cada um deve fazer.

Enquanto isso, na abordagem facilitadora, o gestor ocupa um papel muito mais sutil, quase como um elemento “por trás das cortinas”.

Ele ajuda os colaboradores a atingir seu potencial pleno, eliminando obstáculos e obtendo os recursos necessários. Porém, cada membro da equipe tem muito mais autonomia para se autogerenciar. Cada um pode tomar decisões dentro do seu próprio âmbito de trabalho. Cada um assume as responsabilidades por seus próprios resultados.

A gestão de pessoas facilitadora só funciona realmente quando você reúne um time de colaboradores de alta performance. Eles devem ser confiantes e ter um bom nível de experiência. Do contrário, é impossível haver autonomia, característica básica desse estilo.

Na gestão de projetos: sequencial, PMBOK, ágil ou PRINCE2

No caso da gestão de projetos, não podemos deixar de fora essas 3 metodologias que são conhecidas e usadas em empresas do mundo todo: sequencial, PMBOK e ágil.

A primeira, sequencial, é a mais tradicional e, em certo sentido, também a mais simples. Consiste basicamente em organizar a gestão de projetos em uma sequência de tarefas. Uma técnica específica usada dentro dessa metodologia é a definição do caminho crítico, que está relacionada ao fato de que certas atividades não podem começar até que a anterior seja resolvida. Esse método permite definir prioridades e alocar recursos de forma mais inteligente, já que uma tarefa pré-requisito pode causar atrasos no projeto inteiro.

A segunda metodologia, PMBOK, divide os projetos em 5 grupos de processos: iniciação, planejamento, execução, controle e encerramento. É bastante detalhada, apresentando vários passos em cada um desses grupos e uma maneira específica de conduzi-los. Por esse motivo, existem certificações específicas para quem deseja trabalhar com gestão de projetos em PMBOK

A terceira metodologia, conhecida como ágil, que ganhou popularidade dentro do contexto de empresas que trabalham no desenvolvimento de softwares. Posteriormente, espalhou-se para outros segmentos. De maneira resumida, podemos dizer que ela propõe o trabalho em ciclos curtos e rápidos — daí vem seu nome.

Dentro da metodologia ágil são definidos objetivos menores, mais fáceis de alcançar. Cada vez que um objetivo é atingido, faz-se uma avaliação dos resultados e, havendo aprovação, segue-se para o próximo ciclo de trabalho. Como você pode notar, o foco é em pequenos progressos contínuos em vez da entrega de grandes resultados ao fim de um longo período.

Na prática, existem vários frameworks para a gestão ágil de projetos — ou seja, várias maneiras de implementá-la. Um dos mais conhecidos, sobre o qual você provavelmente já ouviu falar, é o Scrum.

Finalmente, também podemos falar na metodologia PRINCE2, uma abreviação de PRojects IN Controlled Environments, ou melhor, Projetos em Ambientes Controlados. Ela pode ser aplicada a qualquer projeto, independentemente de seu porte ou objetivo. 

Essencialmente, PRINCE2 consiste em dividir os projetos em fases mais fáceis de gerenciar e controlar. Dentro dessa proposta, são sete fases, ou processos, que vão do início à conclusão do projeto. 

Uma das características mais interessantes do PRINCE2 é ser flexível o suficiente para ser integrado com outras metodologias de gestão de projetos, como o SCRUM. 

Antes de encerrar esse tópico, uma informação importante. A gestão de projetos é altamente técnica e, por esse motivo, cada metodologia consiste em muito mais do que filosofias e conceitos. Elas incluem práticas, processos e métricas.

Assim, não é qualquer um que pode executar a gestão de projetos através da metodologia PMBOK, ágil ou PRINCE2. Existem até mesmo certificações específicas para preparar o gestor e ensiná-lo a aplicar a metodologia com os melhores resultados. Se você é, ou pretende ser, gestor de projetos, não deixe de pesquisar sobre as várias certificações que existem para essa área.

Na gestão de produção: enxuta ou tradicional

Na produção empurrada (push system), a produção começa antes que exista uma demanda real, sendo planejada com base em informações prévias e estimativas. Já a produção puxada (pull system) é feita no tempo e no ritmo em que a empresa recebe pedidos.

Tanto a produção puxada como a produção empurrada são consideradas mais como sistemas que como metodologias de gestão. Mas é importante conhecê-las, pois o sistema puxado está fortemente vinculado à metodologia de gestão enxuta.

A gestão enxuta (lean) consiste em eliminar diferentes formas de desperdício (de tempo, de espaço e de recursos materiais) para focar naquilo que realmente agrega valor. Com a produção puxada, tem-se uma drástica redução do desperdício, já que cada unidade de determinado produto só é fabricada quando a demanda surge. É o fim dos grandes estoques e das mercadorias encalhadas ou descartadas por erros de previsão de vendas.

Agora você pode estar se perguntando: se o sistema de produção puxada corresponde à gestão enxuta, a que corresponde o sistema empurrado? Na realidade, não existe um nome específico. Podemos chamar de metodologia de gestão tradicional, caracterizada por ter como base uma série de pressupostos que, hoje, já não funcionam tão bem.

De maneira geral, podemos dizer que a metodologia lean é o oposto de tudo que veio antes. Ela realmente revolucionou a maneira como as empresas são geridas e existe uma alta taxa de sucesso nos negócios que conseguem aplicá-la. Essa revolução está ligada ao Toyotismo, que substituiu o Fordismo nas indústrias.

Vale a pena mencionar que a metodologia lean consegue integrar muito bem uma série de práticas inovadoras do meio corporativo, como 5S, KanbanKaizen Just in Time. Que tal entender melhor cada uma delas?

5S é um programa de origem japonesa que visa atingir a qualidade nos processos da empresa por meio de cinco práticas: 

  • separar o necessário do desnecessário;
  • colocar cada coisa em seu lugar;
  • manter o ambiente de trabalho limpo;
  • criar padrões e normas de limpeza e organização;
  • incentivar todos a ajudarem na preservação e melhoria contínua.

Kanban, também de origem japonesa, é a prática de adotar um sistema de sinalização para organizar o fluxo de produção, estoque e montagem de pedidos em uma fábrica.

Kaizen, mais um conceito japonês, é a filosofia da busca por melhoria contínua. Para essa finalidade, é focada em eliminar desperdícios, podendo ser considerada uma predecessora da metodologia lean.

Just in Time é a busca pela eliminação do estoque. Na prática, seu objetivo é produzir exatamente o suficiente para atender aos pedidos dos clientes, na hora em que esses pedidos são recebidos. Atingindo o estoque zero, a empresa elimina gastos e previne os custos decorrentes da perda de produtos encalhados.

Na gestão estratégica: foco em processos ou em resultados

Na gestão estratégica de negócios, não tem muito segredo: a primeira metodologia está interessada em aprimorar a maneira como a empresa desenvolve seus processos, acreditando que isso levará a resultados melhores, de maneira orgânica, enquanto a segunda  está focada no alcance das metas.

Embora possa parecer mais agressiva, a gestão com foco em resultados é muito poderosa. O detalhe é que nem todos possuem o perfil para trabalhar dessa maneira. Características marcantes das empresas que operam com essa metodologia são a alta competitividade e a exigência para que os colaboradores sejam 100% comprometidos, apresentando um excelente desempenho.

Enquanto isso, os negócios que operam com foco em processos estão mais preocupados com o aprendizado e a melhoria contínua. Em geral, são ambientes em que há mais abertura e flexibilidade. Essa é uma metodologia que também tem potencial para atingir ótimos resultados, só que por um motivo bem diferente: o sucesso em manter os colaboradores motivados e engajados no longo prazo.

Na gestão comercial: foco no presente ou foco no futuro

Essa diferenciação não chega a caracterizar duas metodologias, mas duas abordagens diferentes, que podem fazer toda a diferença nos resultados obtidos pelo setor comercial da empresa.

A primeira abordagem, com foco no presente, é voltada a obter o maior volume de vendas possível. É uma abordagem comumente vista em empresas que estão focadas em atingir metas de curto prazo e, especialmente, metas muito pesadas. Nessa abordagem, a equipe faz qualquer coisa para fechar um negócio. No processo, o relacionamento com o cliente pode sair prejudicado.

Enquanto isso, a segunda abordagem é voltada a desenvolver o relacionamento com o cliente. O lado negativo é que ela pode não ser muito eficiente para alcançar metas imediatas de vendas. Porém, ela garante a longevidade do negócio, porque favorece a fidelização. Ou seja, a empresa pode vender pouco hoje, mas tem altas chances de continuar vendendo para o mesmo cliente amanhã, e no mês que vem, e daqui a dez anos.

Intuitivamente, podemos dizer que a melhor abordagem é aquela focada no longo prazo. Mas existem algumas exceções em que a preocupação com o relacionamento e a fidelização podem fazer pouca diferença. É o caso de empresas que trabalham com produtos de baixo valor, em que o preço é o grande fator de decisão do cliente, e das empresas que atuam em segmentos de baixíssima concorrência.

Nesses casos, como o cliente não vai procurar outro fornecedor, pode ser um desperdício investir no desenvolvimento de melhorias no atendimento, na experiência com a marca e na satisfação.

Na gestão de marketing: outbound e inbound

O outbound marketing é uma metodologia ativa. Em outras palavras, consiste em desenvolver estratégias para que a empresa vá atrás do cliente. Alguns exemplos de outbound marketing são o desenvolvimento de propagandas veiculadas nas mídias (televisão, rádio, internet) e o uso de telemarketing.

Enquanto isso, o inbound marketing é uma metodologia passiva — sem qualquer conotação negativa na palavra, claro. Ela consiste em deixar que o cliente encontre sua empresa, atraindo-o com conteúdo de qualidade.

É uma metodologia típica do mundo digital, em que as pessoas diariamente buscam informações através da internet.

Em um primeiro momento, uma dessas buscas levará o potencial cliente até o site da sua empresa (ou perfil do Facebook, ou qualquer outro canal). Em seguida, o potencial cliente torna-se seguidor do seu conteúdo. E, por meio do conteúdo, você o conduz através de uma jornada, até que ele entenda porque deveria comprar o seu produto ou serviço.

O outbound é muito eficaz quando a pessoa que entra em contato com ele já tem um certo nível de interesse em seu produto. Enquanto isso, o inbound é extremamente eficaz quando a pessoa em questão precisa do seu produto, mas nem sabe disso. Quando menor a consciência do consumidor, maior a eficácia do inbound.

Dessa forma, embora outbound e inbound marketing sejam totalmente diferentes, eles não se excluem. O ideal é que a sua equipe seja capaz de utilizar os melhores recursos das duas metodologias. 

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