Carreira em Y: tudo o que você precisa saber sobre essa tendência

Você quer crescer na sua profissão, subir na carreira e ganhar um salário melhor? Isso é o que muitos almejam e, por esse motivo, colocam como objetivo de vida assumir um cargo de chefia. Mas se você acha que chegar ao mais alto posto de gerência é a única forma de alcançar sucesso profissional, então precisa conhecer a chamada carreira em Y.

Nem todo mundo tem interesse em ser o chefe de uma organização ou aptidão para gerir outras pessoas. Isso significa que esse público jamais será bem-sucedido? Talvez em outra época, mas o mercado de trabalho vem mudando essa mentalidade e, atualmente, entende-se que existem outras opções para quem busca sucesso na carreira.

Pensando nisso, vamos explicar tudo sobre a carreira em Y: o que é, como funciona, suas características, para quem ela é indicada, suas vantagens e muito mais! Acompanhe a leitura e descubra essa tendência!

1. O que é carreira em Y? 

Para entender esse conceito, é preciso conhecer o modelo linear de carreira, que, até algum tempo atrás, era a única forma de crescer em uma empresa. Nesse modelo, havia três possibilidades na carreira: assumir um cargo na posição de gerência, ficar estagnado na posição atual para o resto da vida ou pedir demissão e buscar outras oportunidades.

Portanto, a possibilidade de crescimento era vertical, com apenas um caminho para seguir. Assim, as hierarquias organizacionais eram muito rígidas e as opções para ganhar uma promoção, muito limitadas.

A carreira em Y consiste, portanto, em uma resposta a essa forma restrita no mercado de trabalho. Trata-se de uma ressignificação do conceito de plano de carreira. A grande diferença é que o modelo linear dá ênfase à gestão de pessoas como única possibilidade de carreira, enquanto a carreira em Y abre as possibilidades, permitindo que o profissional opte por focar na gestão de conhecimento.

Nesse sentido, esse novo modelo visa uma maior valorização do conhecimento técnico, entendido, atualmente, como tão importante quanto o conhecimento estratégico e gerencial.

2. Como funciona a carreira em Y?

Como o nome sugere a partir do desenho da letra “Y”, essa carreira apresenta, inicialmente, um caminho linear até atingir uma bifurcação, em que o profissional pode optar entre dois caminhos. Ou seja, à medida que o profissional ascende na carreira, ele atinge um ponto em que pode escolher um cargo de gerência ou um cargo de especialista técnico.

Se o perfil do profissional é generalista, ele pode seguir a ramificação de cunho gerencial. Assim, depois de atingir o posto de analista ou assistente, ele pode seguir para os cargos de supervisor, gerente, diretor e, por fim, presidente.

Já se o colaborador tem perfil técnico, ele pode se tornar um especialista. Nessa trilha do Y, o indivíduo tem a possibilidade de ser promovido de outra forma, passando de analista para consultor, especialista, mestre, doutor e, no topo, conselheiro.

Dessa forma, o profissional não fica limitado a seguir apenas a carreira gerencial. Caso seja de seu interesse, ele pode construir seu plano de carreira se especializando nos conhecimentos técnicos de determinada área, tornando-se responsável pelo desenvolvimento de produtos, projetos ou pesquisas.

3. Como surgiu a carreira em Y e por quê?

Até pouco tempo atrás, as empresas ofereciam um padrão linear de carreira para os seus colaboradores, de modo que o profissional tinha apenas uma maneira de evoluir e conseguir ter uma carreira de sucesso.

Para ser considerado bem-sucedido profissionalmente, era preciso atingir um cargo de chefia (como gestor, diretor ou supervisor), no qual deveria assumir a liderança, gerenciar pessoas e agir no nível estratégico. Mas nem sempre os profissionais almejam ou se identificam com a função, mesmo que sejam extremamente competentes.

Consequentemente, esse modelo de carreira desvalorizava os profissionais que preferiam atuar nas áreas de conhecimento técnico e nas atividades mais práticas, que exigiam, de fato, “colocar a mão na massa”.

Além disso, impedia o pleno desenvolvimento profissional desses colaboradores, pois se eles não quisessem assumir um cargo gerencial, ficariam, então, estagnados, sem chances de maior reconhecimento ou maiores salários. Por isso, muitos profissionais se sentiam impelidos a aceitar o cargo de chefia, deixando o conhecimento técnico — aquilo de que realmente gostavam — para exercer atividades gerenciais.

Isso frequentemente gerava problemas para a organização. Primeiro, porque faltava um devido treinamento para o cargo e o profissional nem sempre apresentava habilidades de liderança e gestão de equipes. Segundo porque, muitas vezes, o profissional apenas aceitava o cargo pelo salário e status, já que era a única forma de melhorar profissionalmente, gerando insatisfação.

Dessa forma, surgiu, então, a carreira em Y. As empresas começaram a perceber que nem todo profissional tem perfil compatível com essa lógica e que as formas de crescimento na carreira poderiam ser mais amplas e adequadas ao perfil de cada um. Assim, um profissional técnico de destaque poderia se tornar um excelente especialista, merecendo o mesmo reconhecimento que um gestor normalmente recebe.

Além disso, as empresas precisavam aumentar a vantagem competitiva no mercado e, para isso, precisavam inovar. E quem é apto para isso? Justamente o colaborador que tem perfil técnico e visionário, visto que essas características contribuem para aprimorar serviços e produtos e propor novas soluções à frente dos concorrentes.

Com a carreira em Y, passou-se, então, a valorizar devidamente esses funcionários. Além de trazer melhores resultados e inovação para a empresa, esse tipo de carreira também leva em conta os interesses pessoais e as reais aptidões do colaborador.

4. Quais são suas principais características?

Como vimos, o surgimento da carreira em Y está bastante vinculada à necessidade de competitividade e de inovação das empresas, com a consequente valorização do conhecimento técnico. Diante desse contexto, veja suas principais características.

Inovação

Busca pelo desenvolvimento de novos produtos ou serviços que atendam às necessidades do mercado antes da concorrência, bem como por novos métodos com vistas à otimização de processos.

Solução de problemas

Essa carreira exige grande capacidade para resolver problemas de alta complexidade, propor alternativas criativas e superar obstáculos.

Conhecimento

Fomento da aplicação do know-how adquirido com a prática e a experiência, bem como da aquisição de novos conhecimentos e evolução constante do aprendizado.

Equivalência entre os cargos

Reconhecimento e valorização do conhecimento técnico, de modo que os especialistas têm status, remuneração e responsabilidades em grau de equivalência em relação aos gerentes.

5. Quais características o profissional deve ter?

O profissional que escolher pelo lado técnico da bifurcação da carreira em Y será um especialista. Para tanto, ele deve ter algumas características. Veja as que mostram que o profissional tem perfil para se desenvolver nesse modelo!

Excelência

Em primeiro lugar, não é qualquer profissional que se torna um especialista. Para isso, é preciso ser muito talentoso e de grande destaque em sua área.

Alto nível de conhecimento

Como todo especialista, o profissional deve apresentar alto nível de conhecimento técnico e prático, grande capacidade de inovação e de solução de problemas. Gostar de complexidade é uma característica-chave nesse profissional, que é motivado por esse tipo de desafio.

Foco em resultados

O profissional técnico deve ser focado em resultados de processos e apresentar bom desempenho em suas atividades.

Conhecimentos específicos

Alta especialização em um determinado assunto ou área, com interesse em se aprofundar em pesquisas e em conhecimentos específicos.

Liderança

Embora a liderança seja mais comumente requisitada no profissional do cargo de gestão, vale ressaltar que o especialista não deixa de assumir características de líder. No entanto, trata-se de estilos de liderança diferentes, visto que o profissional técnico não é necessariamente um líder de pessoas, como é o caso do gestor.

6. Para quem ela é indicada? 

A carreira em Y é indicada para os profissionais com alto grau de conhecimento teórico e prático e com preferência por desempenhar as funções técnicas da organização. Assim, o indivíduo pode escolher esse caminho, em lugar do gerencial, tornando-se um especialista na sua área de atuação.

É um modelo ideal para aqueles que, por um lado, gostam de buscar novas soluções e têm uma visão inovadora e, por outro lado, não têm aptidão ou interesse em liderar equipes e gerenciar pessoas.

Em termos de carreira, o especialista assume o mesmo nível de um gerente, obtendo mesmo status, salário e benefícios. Nesse sentido, a carreira em Y também é altamente recomendada para quem busca crescimento profissional com mais liberdade para exercer seu potencial e mais autonomia na sua função, na rotina de trabalho e nos projetos.

7. Qual o cenário atual do mercado para esses profissionais? 

Durante décadas, houve uma supervalorização dos cargos de gerência por meio da carreira linear. Isso gerou uma carência de profissionais especializados no mercado e, por consequência, as empresas apresentam um déficit em seu quadro de talentos.

De um lado, é grande a queixa no mercado devido à falta de mão de obra especializada e muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para recrutar talentos qualificados. De outro lado, os profissionais têm procurado, atualmente, mais que um emprego, mas também realização profissional, fator que tem se tornado cada vez mais determinante para as escolhas vocacionais e profissionais de uma pessoa.

Nesse sentido, o cenário atual se mostra muito favorável para os profissionais que desejam seguir a carreira em Y. Esse modelo contribui para que as empresas consigam melhorar seu banco de talentos, retendo profissionais altamente especializados e com alto grau de conhecimento técnico.

Ao mesmo tempo, o profissional não precisa se sentir obrigado a assumir um posto de gestão para conseguir mais sucesso na sua profissão, podendo ser se sentir realizado e reconhecido exatamente naquilo em que é bom e gosta de fazer.

Diante desse contexto, a carreira em Y tem se tornado tendência e cada vez mais as empresas estão se abrindo às mudanças e oferecendo a possibilidade de o profissional escolher seus caminhos.

Inclusive quando a economia passa por crises, o modelo de carreiras paralelas se mostra uma boa saída para garantir a competitividade, a adaptação ao mercado e a garantia de inovação e soluções em circunstâncias adversas.

Os profissionais especialistas — mais valorizados e reconhecidos atualmente — são, portanto, um diferencial no cenário atual do mercado, capazes de proporcionar, para as empresas, eficiência, conhecimentos aprofundados e resultados práticos.

8. Qual a importância da especialização para quem quer seguir essa carreira? 

Se uma pessoa decide se tornar especialista em uma área ou um assunto, então a especialização é fundamental para seguir esse ramo da carreira em Y. Tanto é assim que muitas empresas estimulam a educação continuada e incentivam os funcionários a realizarem cursos de pós-graduação ou MBA, por exemplo.

Isso se dá porque, como vimos, o perfil do profissional especialista está bastante ligado a pesquisas e conhecimentos específicos. Além disso, motivado sobretudo pela complexidade de problemas, o especialista precisa de um grande nível de aprofundamento nos conhecimentos da sua área.

Por isso, é imprescindível que ele continue o aprimoramento dos estudos, a fim de desenvolver seus conhecimentos constantemente.

9. Carreira em Y ou carreira em W? Saiba quais são as principais diferenças

Atualmente, existem vários modelos de carreira no mercado. Além dos dois tipos que mencionamos — a carreira linear e a carreira em Y —, existe também a carreira em W. A adoção de cada plano depende das empresas e de sua cultura organizacional.

Algumas delas comportam uma estrutura de maior complexidade, levando-as a sentir necessidade de um profissional para além do perfil Y. Alguns líderes não podem ser categorizados somente como gestor ou apenas como técnico, havendo necessidade de novos planos de carreira, o que levou à implementação do perfil W.

Mas, então, o que é carreira em W? Consiste em uma evolução da carreira em Y, tendo surgido mais recentemente, nos anos 80. De forma análoga, se a letra “Y” representa a bifurcação desse modelo de carreira, o “W” ilustra o desenho de um zig zag.

Diferentemente da carreira em Y, que permite a escolha de apenas um dos caminhos — o gerencial ou a especialização —, a carreira em W oferece ao profissional a possibilidade de atuar nas duas áreas, dependendo da situação.

Desse modo, o profissional pode desenvolver maior grau de versatilidade, visto que pode desempenhar tanto a parte técnica quando a posição de liderança, usando um pouco de cada abordagem.

Na carreira em Y, geralmente o profissional tem certeza de que deseja se tornar ou o chefe da organização ou o especialista do seu setor quando não enxerga em si o perfil de um gestor ou não tem interesse em se dedicar a uma área mais generalista.

Já o profissional que tem dúvidas entre esses dois caminhos pode encontrar sua solução na carreira em W, uma vez que ela não exige uma escolha extremista ou excludente. Assim, o profissional pode mudar o viés de sua atuação de acordo com a situação. Além disso, ele pode funcionar como um elo entre os diferentes níveis organizacionais.

O perfil W precisa, portanto, ter capacidade de lidar tanto com as necessidades de gestão quanto com as informações técnicas. De um lado, seu perfil gestor é capaz de exercer liderança, tem visão ampla e boa comunicação. De outro, seu perfil especialista consegue abordar as questões técnicas com foco e profundidade.

Sendo assim, uma das principais diferenças entre a carreira em Y e a carreira em W, é que o caminho do zig zag permite unir a carreira de gestor com a do pesquisador especialista, surgindo, assim, a carreira de gestor de projetos, que combina as habilidades administrativos e gerenciais com o conhecimento técnico.

Vale destacar, ainda, que um dos fatores mais importantes para a boa implementação tanto da carreira em Y quanto em W é a garantia do nível de equivalência entre os cargos, seja do gestor de equipes, do especialista ou do gestor de projetos.

10. O que é preciso ter ou fazer para adotar essa carreira?

Para adotar a carreira em Y, é preciso, em primeiro lugar, fazer um mapeamento das áreas estratégicas da empresa. Isso tornará possível elaborar um plano para que o setor de gestão de pessoas conheça os perfis técnicos e os gerenciais.

A partir daí, para a aplicação desse modelo de carreira na prática, é preciso que o profissional da área técnica busque a especialização e seu desenvolvimento nos conhecimentos específicos. Também é necessário monitorar e avaliar o desempenho do especialista, averiguando se está de acordo com as estratégias organizacionais.

Para a implementação do plano de carreira em Y na organização será preciso, ainda, a criação de cargos da área técnica, como analista, consultor, especialista e conselheiro.

Para ser promovido de acordo com essa trilha da bifurcação, a empresa pode avaliar, dentre alguns fatores, as competências do profissional, sua formação acadêmica, expertise, experiência, desempenho e cumprimento de metas.

11. Quais as principais vantagens e os principais desafios da carreira em Y?

Essa modalidade de carreira, como vimos, se configura como uma alternativa para profissionais que não querem se tornar gestores. No entanto, ainda existem desafios para a sua adoção e implementação nas empresas. Portanto, saiba as vantagens e os desafios da carreira em Y!

11.1. Principais vantagens da carreira em Y

Quando o profissional é valorizado em suas reais habilidades e potencialidades, as vantagens são inúmeras tanto para o colaborador quanto para a organização. Veja as principais!

Mobilidade de ascensão na carreira

Amplia as oportunidades de crescimento profissional, oferece mais flexibilidade e adaptação em relação às necessidades dos colaboradores e possibilita novas formas de construir a carreira.

Desenvolvimento profissional

Permite ao indivíduo se desenvolver mais em sua área de atuação, focando no desenvolvimento constante de suas competências e no aprofundamento do assunto em que tem excelência.

Autonomia

O especialista ganha mais autonomia e liberdade em suas funções, tornando-se responsável por seus projetos.

Realização profissional

O colaborador se sente mais realizado, valorizado e satisfeito profissionalmente. Com isso, pode aliar suas competências aos objetivos organizacionais de modo mais satisfatório.

Produtividade

Um funcionário satisfeito significa maior motivação no trabalho, o que gera, por sua vez, um profissional de alta performance, trazendo melhores resultados para a empresa.

Retenção de talentos

Com a valorização do profissional, ele se torna mais fiel e compromissado com os objetivos organizacionais, melhorando a atração e a retenção de talentos da organização.

Assertividade na alocação de talentos

Maior assertividade na alocação do profissional em cargos que atendam o perfil do indivíduo e não apenas o desejo da empresa. Assim, perdem-se menos talentos e há um melhor aproveitamento dos recursos humanos.

Diversidade de talentos

A carreira em Y garante a diversidade de competências dentro de uma organização e a valorização de diferentes perfis. O colaborador ganha respeito por sua individualidade, podendo se desenvolver em toda a sua potencialidade e, ao mesmo tempo, a empresa aproveita o profissional em sua plena capacidade, obtendo melhores resultados.

11.2. Principais desafios

Um dos requisitos básicos para que a implementação da carreira em Y tenha êxito em uma empresa é assegurar o grau de equivalência entre os cargos dos generalistas e dos especialistas, tanto em termos de reconhecimento, remuneração, responsabilidades e status.

No entanto, essa estrutura equivalente entre os cargos de cada trilha enfrenta dificuldades e desafios para a sua aplicação. Alguns motivos podem ser:

  • o paradigma cultural de que o único caminho para o sucesso profissional é se tornar gestor;
  • o desconhecimento do setor de recursos humanos sobre a carreira em Y;
  • as características, estruturas e demandas da empresa não compatíveis com esse tipo de carreira.

Teoricamente toda empresa pode ter carreiras paralelas, mas isso também depende da demanda da organização por um especialista.

Por isso, é importante que as empresas voltem seus olhos para essas necessidades, com a quebra de paradigmas ultrapassados. Se a organização não oferece a opção Y de carreira, perdem os dois lados: tanto os profissionais, que não podem explorar todo seu potencial, quanto a empresa, que fica prejudicada em relação à retenção de talentos e de mão de obra altamente especializada.

Por fim, vale ressaltar que a escolha por esse modelo de carreira não significa necessariamente uma restrição, mas antes uma ênfase em uma das trilhas, de modo que é importante que o profissional tenha flexibilidade para exercer a multidisciplinaridade e assumir vários papéis de acordo com a necessidade da situação, acumulando funções conforme as exigências do mercado.

Como você viu, o modelo Y é uma importante questão a ser considerada no contexto de tomada de decisão sobre os rumos da carreira. Além de ajudar a conduzir melhor o profissional de acordo com o seu perfil, também contribui para uma melhor gestão de carreiras na organização.

Então, se, além da carreira em Y, você quiser saber mais sobre como criar um plano de carreira de sucesso, aproveite e baixe gratuitamente o nosso e-book!

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