Conheça os 12 principais métodos de gestão de projetos

Não é mais novidade para ninguém que o universo corporativo e seus processos têm passado por inúmeras (e rápidas) transformações nos últimos anos. Assim, para que uma empresa prospere e se mantenha sustentável ao longo do tempo, precisa desenvolver sua capacidade de adaptação e inovação, além de adotar boas práticas de gestão. Afinal de contas, como novos mercados, modelos de negócios e ferramentas tecnológicas surgem a cada dia, não estar atento a essas questões pode ser fatal.

Dentro desse contexto, é cada vez mais importante e necessário criar e gerenciar projetos com eficiência, de acordo com as altas exigências do mercado atual. A boa notícia é que, hoje em dia, não faltam métodos de gestão de projetos criados justamente com o objetivo de facilitar as atividades das equipes ao mesmo tempo em que aumentam o nível de eficácia, organização e alcance de resultados em todo e qualquer tipo de iniciativa.

Quer saber mais sobre esse assunto? Então continue acompanhando o post de hoje, pois listamos a seguir os 6 métodos de gestão de projetos mais usados atualmente, apontando as características e os benefícios de cada um. Confira!

1. Waterfall

A metodologia de gerenciamento de projetos conhecida como “waterfall”, ou cascata, tem como principal característica a execução de etapas em uma ordem sequencial lógica, até atingir um resultado final. Essa metodologia é a mais simples de entender, dentro da categoria de metodologias tradicionais.

A metodologia cascata implica em que uma tarefa só pode ser iniciada depois que a anterior for completada. O grande problema é que qualquer mudança no escopo do projeto ao longo do caminho irá interromper esse fluxo e, portanto, causar um certo caos no planejamento. Portanto, podemos dizer que não é uma metodologia flexível.

2. Caminho Crítico

A metodologia do caminho crítico pertence à mesma categoria da waterfall, porém, é um pouco mais complexa.

Desenvolvida nos anos 1950, ela parte do princípio de que, dentro de qualquer projeto, há algumas tarefas que estão ligadas entre si por um vínculo de dependência. São aquelas tarefas que só podem começar depois que uma outra for completada. Elas formam o caminho crítico.

A implicação prática é que o gestor precisa priorizar as tarefas de hierarquia mais alta dentro do caminho crítico, já que, se não forem executadas, elas bloqueiam o caminho para outras tarefas que virão depois. 

3. PMBOK

Apesar de não ser considerado um método de gestão de projetos propriamente dito, mas sim um processo de padronização que nomeia e identifica etapas, regras e áreas do conhecimento, o PMBOK é a mais importante bibliografia de gestão de projetos do mundo. Adotada por um sem número de indústrias e empresas nos mais diversos países, essa ferramenta foi criada pelo Project Management Institute (PMI) e tem como objetivo contemplar os principais aspectos que devem ser levados em consideração em um projeto genérico.

Ao descrever de maneira bastante universal e abrangente os conhecimentos necessários para uma gestão de projetos eficiente, o PMBOK acabou se tornando um padrão. Hoje em dia, partem dele praticamente todos os métodos de gestão de projetos existentes. De acordo com essa padronização, os projetos devem abordar e esclarecer 10 áreas do conhecimento. São elas:

  1. Gerenciamento de integração;
  2. Gerenciamento do escopo;
  3. Gerenciamento do tempo;
  4. Gerenciamento de custos;
  5. Gerenciamento da qualidade;
  6. Gerenciamento de recursos humanos;
  7. Gerenciamento de comunicações;
  8. Gerenciamento de riscos;
  9. Gerenciamento das aquisições;
  10. Stakeholders.

Essa última área foi incluída na última edição do PMBOK pela necessidade de levar em consideração o engajamento e os níveis de motivação e comprometimento dos stakeholders para o sucesso do projeto.

4. Scrum

Classificado como um método de gestão de projetos ágil, o Scrum foi inicialmente desenvolvido para o setor de software, mas pode ser facilmente aplicado a qualquer tipo de projeto. Ele é especialmente útil em projetos que têm mudanças repentinas e urgentes como característica — como no caso daqueles em que o cliente, no princípio da empreitada, ainda não tem uma ideia muito clara de onde deseja chegar.

A metodologia central do Scrum está baseada em pequenos passos. Assim, em vez de focar no resultado final, capaz de assustar até o mais competente gestor ou analista, a meta principal é dividida em pequenas e curtas etapas, que duram até 4 semanas. Tais etapas são denominadas sprints.

Ao final de cada sprint, há uma reunião da equipe para fazer uma retrospectiva. Ali, os resultados são apresentados e discutidos, determinando se os objetivos foram ou não cumpridos, quais mudanças foram necessárias durante o processo e o que precisa ser replanejado para o próximo sprint, buscando sempre a melhora constante. A essa contínua procura pela evolução dá-se o nome de kaizen.

kaizen também se aplica dentro de cada sprint, por meio de reuniões diárias entre os membros da equipe. A metodologia prevê que essas reuniões não devem ultrapassar 15 minutos de duração, sendo seu objetivo revisar o trabalho do dia anterior e estabelecer listas de metas prioritárias para o dia que se inicia, construindo assim um processo de retroalimentação positiva e feedbacksconstantes.

5. Gestão da qualidade

Desenvolvido pela renomadíssima ISO, a norma ISO 10006:1997 é um padrão internacional de gestão de projetos. Trata-se, na verdade, de diretrizes que têm como objetivo garantir a padronização, resultando assim na qualidade dos projetos pertencentes a qualquer escopo. Enquanto o PMBOK foca no processo de desenvolvimento de um produto ou serviço, a norma ISO 10006:1997 aborda o processo que leva ao resultado final. Para isso, ela descreve as etapas para um gerenciamento de projetos estratégico, que são:

  • foco no cliente;
  • liderança;
  • envolvimento das pessoas;
  • aproximação dos processos;
  • sistema de aproximação com a gerência;
  • melhoria contínua;
  • aproximação casual para a tomada de decisão;
  • relacionamento mutuamente benéfico com o fornecedor.

6. PRINCE 2

Abrangendo aspectos de gerenciamento, controle e organização de qualquer tipo de projeto, o PRojects IN Controlled Environments (PRINCE 2) é um método britânico de gerenciamento de projetos adotado em mais de 150 países. 

A base de dados do PRINCE 2 é um framework que mantém o foco no produto e nas entregas durante a realização do projeto. Entre as premissas de um projeto gerenciado com o PRINCE 2 estão:

  • controle e organização das etapas;
  • revisão de processos com base em análises de planejamento e business case;
  • pontos de decisão flexíveis;
  • gerenciamento eficaz de qualquer desvio;
  • envolvimento da gerência e dos stakeholders em pontos-chave cruciais;
  • canal de comunicação eficiente entre a equipe desenvolvedora do projeto e o restante da companhia.

7. IPMA

Formada por diversas associações nacionais e internacionais de gestão de projetos, a International Project Management Association (IPMA) é uma organização sem fins lucrativos que tem como principal objetivo disseminar conhecimentos e práticas de gestão de projetos aplicadas em diversas companhias do mundo inteiro, sejam elas públicas ou privadas.

Por meio de uma rede que estabelece diretrizes e técnicas de gestão, a IPMA divulga e propaga conhecimentos sobre a área sem, contudo, deixar de levar em consideração a cultura e as características intrínsecas de cada país.

Tomando como base a premissa de que as competências (combinação entre comportamento, habilidades, experiência e conhecimento) são os pilares de toda a gestão de projetos, a IPMA criou o chamado olho das competências, dividido em competências técnicas, contextuais, comportamentais e suas subdivisões.

8. Project Model Canvas

Project Model Canvas é uma ferramenta de aparência bastante simples, mas que tem muito poder quando o assunto é gerenciar projetos de maneira precisa. Criado por José Finocchio Júnior, o conceito se propõe a substituir toda a papelada e documentação de um projeto por uma folha tamanho A4 e post-its.

Com esses materiais em mãos, o gerente de projetos deve se reunir com a equipe para criar um plano de projeto simples, curto e direto. Para isso, os colaboradores devem fazer 6 perguntas fundamentais: por que, o que, quem, como, quando e quanto? Fundamentado em conceitos de neurociência, o método Canvas diz que, ao tornar as ideias palpáveis e visíveis com a criação do quadro de post-its, o processo torna-se mais facilmente compreensível. E isso vale até mesmo para aqueles colaboradores mais inexperientes!

9. Adaptative Framework Project

Conhecida pela sigla AFP, essa é uma metodologia tipicamente utilizada no gerenciamento de projetos de TI. Ela parte do princípio de que esses projetos não podem utilizar metodologias tradicionais (como waterfall e caminho crítico) porque são caracterizados pela incerteza e a mudança.

Assim, a metodologia AFP começa com elaboração de uma estrutura detalhada dos requisitos do projeto (chamada Requirements Breakdown Structure). Essa estrutura visa definir os objetivos estratégicos do projeto, a partir dos requisitos do produto que está sendo desenvolvido, como suas funções e subfunções. 

A estrutura serve, portanto, como uma referência de escopo. Uma vez que ela esteja pronta, o projeto avança em etapas reiterativas, sendo que, ao final de cada etapa, é realizada uma análise para avaliar os resultados e melhorar as práticas. No começo de cada nova etapa, também é possível alterar o escopo do projeto, caso os requisitos do produto sofram mudanças.

Uma característica marcante da metodologia de gerenciamento de projetos AFP, portanto, é colocar as expectativas do cliente no centro do processo em questão. Em outras palavras, a figura do cliente e suas demandas é essencial para definir como o projeto será conduzido.

10. Gestão de Projetos Baseada em Processos

A gestão de projetos baseada em processos busca alinhar todos os aspectos do projeto com a missão e os valores da empresa. Isso significa que cada processo que integra o projeto não vai simplesmente permitir que este seja executado, mas vai efetivamente colaborar, de forma estratégica, para os objetivos mais amplos do negócio.

Essa metodologia de gerenciamento de projetos é composta por quatro passos fundamentais:

  • definir os processos;
  • estabelecer métricas;
  • controlar os processos;
  • ajustar as metas, quando necessário.

Resumindo, então, a gestão de projetos baseada em processos pode ser considerada uma metodologia com abordagem sistêmica. Afinal, ela não enxerga apenas o projeto em si, mas busca entender como a execução do projeto irá afetar a organização em uma perspectiva mais ampla.

11. Six Sigma

Assim como a gestão da qualidade, Six Sigma também não é de fato uma metodologia de gerenciamento de projetos. Na realidade, é um conjunto de práticas que podem ser aplicadas aos projetos para alcançar resultados de qualidade superior.

Desenvolvido pela Motorola, na década de 1980, o Six Sigma utiliza estatísticas para medir os defeitos de um produto, durante a execução do seu projeto, e busca reduzi-los a zero. Pelos padrões Six Sigma, o resultado final do projeto (seu produto) deve ser 99,99966% livre de defeitos.

Para atingir uma métrica tão impressionante, existem dois processos, ambos inspirados pelo famoso ciclo Plan-Do-Check-Act. Eles são:

  • DMADV, composto por:
    • define goals, ou seja, definir metas;
    • measure and identify, ou seja, mensurar e identificar (características críticas);
    • analyze, ou seja, analisar;
    • design details, ou seja, desenhar detalhes (a fim de otimizar o projeto);
    • verify the design, ou seja, verificar o desenho (em outras palavras, rever o modo como o projeto foi planejado);
  • DMAIC, composto por:
    • define the problem, isto é, definir o problema;
    • measure key aspects, isto é, mensurar aspectos essenciais;
    • analyze, isto é, analisar os dados;
    • improve the process, isto é, melhorar o processo;
    • control, isto é, controlar (a fim de identificar desvios no projeto, para que possam ser rapidamente corrigidos).

Muitas empresas combinam o Six Sigma com o conceito de Lean — enxuto, sem desperdícios. O resultado é um conjunto de práticas que visa atingir altíssima qualidade através de processos eficientes e econômicos.

12. Extreme Project Management

Se você está em busca da metodologia de gerenciamento de projetos perfeita para lidar com prazos curtíssimos, a XPM é a escolha certa. Ela é focada na gestão de projetos em cenários de alta complexidade ou incerteza. É considerada o oposto total da metodologia waterfall, a primeira da nossa lista.

Em vez de se preocupar com técnicas para agendar a execução de tarefas e outros formalismos, a XPM volta-se para o lado humano. Assim, um dos fatores mais críticos para o sucesso de um projeto realizado com a metodologia XPM é o mindset da equipe. Todos devem estar confortáveis (ou, pelo menos, preparados) para enfrentar incerteza, situações que não podem ser controladas, mudanças espontâneas e, até mesmo, um certo grau de caos.

Mas não é só a equipe que precisa apresentar certas características. O gestor de projetos também deve ter um perfil flexível para adotar a metodologia XPM. Ele precisa ter boas habilidades de comunicação e negociação, manter a harmonia e a motivação nos colaboradores, e saber lidar com obstáculos.

Podemos dizer que o fator humano é tão importante na metodologia XPM porque ela lida com projetos que devem ser completados com urgência.

Nesse cenário, é normal que exista um alto nível de pressão sobre os envolvidos. Uma metodologia mais voltada para aspectos técnicos só vai aumentar essa pressão. Enquanto isso, a XPM visa facilitar a colaboração entre a equipe para permitir a obtenção de melhores resultados.

E então, o que achou dos métodos de gestão de projetos citados aqui? Você já conhece ou trabalha com algum deles? Compartilhe sua experiência nos comentários e contribua para enriquecer a discussão sobre o assunto!

Deixe um comentário

Por favor, seja educado. Nós gostamos disso. Seu e-mail não será publicado e os campos obrigatórios estão marcados com "*"