Entenda aqui o que é governança corporativa

De uns tempos para cá, entender a fundo o que é governança corporativa passou a ser uma necessidade fundamental, não só para gestores, mas para todos os profissionais. Afinal, com a globalização da economia, os processos e fluxos de informação das empresas foram se tornando mais e mais complexos, impactando diferentes partes interessadas nos negócios.

Diante de tantos fatores que envolvem a gestão empresarial e das diversas consequências para os públicos envolvidos nas decisões de uma companhia, não é raro que um grupo acabe se sentindo prejudicado com os rumos tomados pelo empreendimento.

Assim, justamente para prevenir excessos ou desvios de finalidade na administração das empresas é que surgiram normas de conduta e práticas para favorecer a transparência nas organizações.

Quer entender melhor tudo isso? Então, continue lendo e confira o que é governança corporativa e conheça alguns benefícios que ela tem a oferecer tanto para as empresas quanto para os stakeholders!

Saiba o que é governança corporativa

A governança corporativa pode ser definida como um sistema ou um conjunto de práticas que se propõe a melhorar a qualidade da gestão empresarial. O propósito é atender aos anseios dos envolvidos com a empresa, preservando seu valor institucional no longo prazo.

Para tanto, a governança corporativa pressupõe a criação de mecanismos de controle internos e externos das atividades do negócio, bem como de instrumentos de divulgação de informações do empreendimento.

Ao longo do tempo, à medida que houve uma sistematização do conhecimento acerca da governança corporativa, quatro princípios básicos passaram a nortear tais normas e práticas. De modo geral, eles têm como objetivo garantir a lisura na gestão empresarial, para proteger os direitos das partes interessadas e, assim, evitar privilégios ou práticas ilícitas.

A seguir, abordaremos brevemente cada um deles:

1. Transparência

Quaisquer decisões e processos devem ser mostrados, de forma clara, às pessoas e instituições que se relacionam com a empresa — investidores, clientes, fornecedores, governo, até mesmo a própria sociedade. São os chamados stakeholders.

E é fundamental que haja essa cultura de transparência para garantir boas relações entre todas as partes, bem como o engajamento nos objetivos da empresa.

2. Equidade

O conceito de equidade diz respeito à relação igualitária que deve ser estabelecida e incentivada entre todos, desde os gestores e demais funcionários da empresa até os stakeholders.

Trata-se de uma estratégia para garantir a fluidez dos processos, de forma que todos contribuam com o que acharem necessário. Afinal, canais de comunicação abertos são importantes para que esse princípio básico seja estabelecido com eficiência.

3. Prestação de contas

Também conhecida como accountability, a prestação de contas é mais do que parte do princípio de transparência — é uma ferramenta que potencializa o planejamento e o controle sobre os processos.

Basicamente, todos devem documentar o trabalho realizado, não só os recursos financeiros que gerenciam, mas também suas responsabilidades frente aos stakeholders.

4. Responsabilidade corporativa

Em um mundo de intensas relações por meio do ambiente digital, estabelecer uma imagem responsável da empresa é crucial para permitir seu crescimento no mercado.

É preciso, nesse sentido, ter em mente uma visão panorâmica, mais ampla da presença e da atuação corporativa frente à sociedade. Saber quais são os impactos das suas ações, por exemplo, de que forma a marca se posiciona frente aos stakeholder etc.

Entretanto, o conceito de governança corporativa não será enraizado na empresa simplesmente por meio da adoção de seus princípios básicos. É preciso ainda adotar certas práticas, como mostraremos a seguir.

Veja quais são as melhores práticas

Governança corporativa é mais do que uma estratégia — é uma verdadeira cultura a ser adotada pela empresa.

Com o tempo, ela deve se tornar parte do modo de pensar dos funcionários e stakeholders. Por isso, fique atento às práticas que abordaremos a seguir e faça uma análise cuidadosa em sua empresa, para verificar se elas estão presentes.

Além disso, é importante ter em mente que alguns valores devem guiar a forma de adoção dessas práticas, de acordo com cada organização. Responsabilidadetransparência e eficiência, por exemplo, são bons referenciais.

Estabelecimento de uma hierarquia clara

A hierarquia estabelecida no ambiente corporativo pode variar de empresa para empresa. Contudo, todas elas visam definir claramente uma estrutura de comando que otimize as tomadas de decisão e o gerenciamento de recursos, sejam eles intelectuais, financeiros ou materiais.

Por isso, o primeiro passo é certificar-se de que todos compreendem a hierarquia da empresa — e de que ela realmente funciona.

Todos os profissionais devem saber exatamente a quem respondem em suas equipes. Mesmo que um funcionário desempenhe funções ligadas a diferentes times, é preciso centralizar seu comando em um ponto único, para que não haja nenhum comprometimento em sua capacidade de entrega.

Mesmo que haja bastante entrosamento entre gestores, uma falta de comunicação pode causar uma atribuição dupla de tarefas a um mesmo funcionário em um mesmo período. Isso gera um desgaste desnecessário, pois será preciso definir prioridades entre as tarefas — e, muitas vezes, esse é um processo delicado entre diferentes setores.

Já no caso de uma diretoria com equivalência de poderes, por exemplo, a rotatividade da posição de presidente pode ser uma estratégia interessante para evitar impasses nas tomadas de decisão.

Acompanhamento e registro de projetos

Reuniões são o alicerce de qualquer empresa que busca o mínimo de organização para seus projetos. Adote essa prática entre equipes, gestores, sócios, e mesmo o Conselho Administrativo.

Cada nível pode ter sua própria necessidade de periodicidade para as reuniões — diária, semanal, quinzenal, mensal etc. Tudo dependerá da dinâmica dos processos e das pautas a serem abordadas.

Outra ação importante é documentar essas reuniões. Esse tipo de registro possibilita o acompanhamento diário de tudo que foi estabelecido naquele momento, e o controle administrativo da empresa depende muito dessas informações para se mostrar eficiente,

As atas podem ser de responsabilidade rotativa dentro das reuniões, para que todos estejam familiarizados com o processo. Além disso, elas devem ser arquivadas para consulta.

Somadas aos balanços financeiros, projeções e outros registros, essas atas são importantes para a prestação de contas da empresa.

Formação de um conselho consultivo

Sem dúvida, desenvolver formas de ouvir opiniões distintas é essencial para garantir tomadas de decisão assertivas.

No caso da governança corporativa, isso deve ocorrer por meio de um conselho consultivo formado por profissionais capacitados e experientes de diferentes áreas. Essa ação proporciona um embasamento muito maior para quem precisa agir com inteligência o tempo todo.

O processo costuma ser iniciado em reuniões com a administração da empresa. Os objetivos, as necessidades de melhoria e as ideias, em geral, são apresentadas para que o conselho consultivo possa orientar as ações a serem tomadas.

Assim, é interessante que ele seja formado por profissionais que, apesar das possíveis experiências em áreas distintas, tenham tido alguma relação com tomadas de decisão como as suas.

Em geral, os conselhos consultivos são constituídos de alguns (entre 3 e 5) membros. Devem ser pessoas de confiança, próximas a você, que se mostrem altamente capazes de lidar com situações adversas e aconselhar com propriedade e embasamento.

Mas essas reuniões não se dão com tanta frequência como as realizadas entre equipes ou líderes — são apenas algumas vezes ao ano. O motivo é que seu foco deve estar em questões mais amplas, de médio e longo prazo, como a atuação no mercado, o aumento de produtividade ou a busca por ideias inovadoras.

Em alguns casos, é possível solicitar o apoio do conselho consultivo para buscar estratégias específicas. Um bom exemplo é a necessidade de lidar com algum conflito interno.

Muitas vezes, um desgaste excessivo pode ocorrer devido à falta de alinhamento entre gestores. E nem sempre o cenário é tão simples, a ponto de que a solução esteja nos procedimentos padrão da empresa.

Nesse momento, é importante agir com cautela e contar com a opinião desse grupo de pessoas de confiança. Quanto mais complexo for o problema, mais provável será a necessidade de adequar os procedimentos internos para evitar que ele se repita no futuro.

Enfim, veja que essas três práticas representam diversas e profundas mudanças, dependendo da dinâmica interna de cada empresa.

Logo, como dissemos, é preciso levar em conta os objetivos corporativos e, principalmente, os valores que estão em jogo para que um modelo eficiente de cada prática seja definido antes da implementação.

Conheça seus maiores benefícios

Além de entender o que é governança corporativa, os gestores e profissionais que atuam no mundo dos negócios devem estar cientes das vantagens que esse sistema de normas e condutas pode oferecer a uma empresa. Só assim poderão usufruir de tais benefícios para o seu sucesso a longo prazo.

Vejamos, então, os principais ganhos que uma organização pode obter ao implantar práticas de governança corporativa!

Confiabilidade no ambiente de negócios

No caso das empresas de um único proprietário, não há mistério: é ele o responsável por ditar os rumos do empreendimento (estratégias, ramos de atuação, missão, visão e valores institucionais). A situação é semelhante no caso das companhias familiares de pequeno porte, já que boa parte das decisões está restrita a um pequeno grupo de pessoas.

Contudo, no caso das empresas com vários acionistas, como as sociedades anônimas, nem sempre os interesses do controlador do negócio estão alinhados às expectativas dos seus sócios.

Nesse contexto, a governança corporativa possibilita que haja maior confiabilidade na gestão empresarial.

Normas de conduta e práticas previamente estabelecidas, com o consentimento dos envolvidos no negócio, permitem evitar surpresas negativas na condução da empresa, que poderiam levar à insegurança jurídica e à instabilidade financeira.

Resolução ágil de conflitos

Divergências podem ser prejudiciais nos mais variados contextos; no mundo corporativo, podem gerar profundos resultados negativos para a companhia. Não faltam, no decorrer da história, casos de disputa de poder em organizações que levaram a sérios problemas na gestão do negócio.

Se, por um lado, saber o que é governança corporativa pode ser útil para que o gestor ou o profissional lide com situações já concretizadas, por outro, tal conhecimento também contribui para a prevenção de conflitos.

Quando um código de governança corporativo define previamente padrões de ação para o quadro de pessoal da organização, bem como eventuais punições, por exemplo, fica mais fácil prevenir fatos danosos ao negócio.

Além disso, quando as divergências são inevitáveis, o estabelecimento de regras de arbitragem contribui para uma resolução mais rápida dos conflitos. Afinal, tendo sido acordadas entre os envolvidos na disputa, normas prévias legitimam o processo de julgamento a respeito de determinados entraves.

Nesse sentido, os participantes do conflito passam a ter consciência de que, seja qual for o resultado, a empresa deve prevalecer sobre os interesses de cada parte.

Priorização dos interesses da companhia

De fato, um gestor não pode saber somente o que é governança corporativa. Ele deve, acima de tudo, aplicar as boas práticas no dia a dia da empresa — caso contrário, pode ferir alguns princípios básicos da governança, como a responsabilidade corporativa.

As pessoas e os grupos ligados ao negócio devem ter em mente que a empresa está em primeiro lugar. Logo, interesses individuais devem ser preteridos em nome da permanência da organização no mercado, com o desempenho satisfatório.

Para colocar a governança corporativa em prática, muitas companhias elaboram códigos ou manuais. Em alguns casos, o conselho de administração da empresa tem o papel de ser o guardião das normas estabelecidas. Em outros, porém, existe um comitê que presta assessoria ao conselho.

Seja qual for a situação, para terem efetividade, os mecanismos de governança corporativa devem dar condições para que os interessados na gestão do negócio possam obter informações precisas acerca dos rumos da empresa.

Atração de investimentos

Cada vez mais investidores sabem o que é governança corporativa e os benefícios que ela proporciona. Assim, hoje, uma empresa que valoriza os princípios da transparência, da equidade, da prestação de contas e da responsabilidade corporativa transmite maior segurança para o investidor.

Não é à toa que a bolsa de valores brasileira tem diversos segmentos de listagem de empresas conforme o grau de governança corporativa adotado.

O chamado Novo mercado, por exemplo, reúne as companhias que seguem os mais avançados padrões desse tipo de governança. Como consequência, elas passam a ser vistas com bons olhos pelos investidores.

Enfim, gostou deste post? Como você pôde perceber, tal sistema de práticas voltadas para a lisura e a transparência nos negócios contribui até para a saúde financeira da empresa, seja por métodos e processos eficientes ou pela atração facilitada de investimentos.

Agora, caso queira se aprofundar em assuntos ligados ao mundo corporativo, aproveite para ler também um pouco mais sobre a gestão de risco!

1 Comentários

  1. Artigo muito pertinente para as empresas na área da segurança, sendo esta uma legítima atribuição da corporação na defesa de seus ativos

    Revista Segurança

Deixe um comentário

Por favor, seja educado. Nós gostamos disso. Seu e-mail não será publicado e os campos obrigatórios estão marcados com "*"