Posso fazer pós-graduação em outra área ou só na que me formei?

Assim como estudantes que ainda nem ingressaram na universidade, profissionais já formados também se veem cercados de dúvidas em relação à sua carreira. As principais delas estão relacionadas à busca por melhores alternativas para alavancá-la e maneiras para se destacar em um mercado volátil.

Investir em uma pós-graduação ainda é um dos caminhos mais indicados para quem busca o sucesso. E disso você, provavelmente, já sabe. No entanto, fazer a escolha de qual a melhor formação ainda gera dúvidas: “posso fazer pós-graduação em outra área ou apenas na qual me formei?” é uma delas.

No post de hoje, responderemos a essa e outras questões que os profissionais fazem ao decidirem investir em uma pós. Ficou interessado no tema? Continue a leitura!

Posso fazer pós-graduação em outra área ou é melhor continuar investindo na de minha formação?

Ser um profissional generalista ou especialista? Essa é uma dúvida comum a quase todos os profissionais já graduados e que estão planejando como atualizar sua formação acadêmica para o mercado de trabalho.

O que é melhor: tornar-se um exímio conhecedor de uma única área (especialista) ou ser um profissional versátil, com múltiplas habilidades também fora da minha formação (generalista)?

A resposta para essa dúvida é categórica e vem de ninguém menos do que a Harvard Business Review, periódico de uma das universidades mais importantes do planeta, publicação extremamente respeitada no mercado e que costuma trazer dicas valiosas sobre o universo corporativo. A revista prova que ter pós-graduação em outra área costuma alavancar a carreira de muitos executivos.

Segundo essa pesquisa feita pela HBR, em 2016, com 400 estudantes que se formaram nos melhores MBAs dos Estados Unidos, os especialistas são, definitivamente, “punidos pelo mercado”. Além de terem oferta de empregos em menor quantidade, ainda possuem remunerações menores.

Para piorar, os bônus recebidos pelos especialistas são cerca de 36% menores do que os dos profissionais que têm pós-graduação em outra área, os generalistas.

Uma teoria que ajuda a explicar porque isso acontece é a aplicada no modelo corporativo chamado de T-Shaped. Em uma referência direta ao formato da letra “T”, o seu tronco vertical representa conhecimentos específicos em uma determinada área, e a parte horizontal a habilidade de compreender diversas disciplinas, mas não se aprofundar em nenhuma delas.

O profissional que quer se destacar precisa unir as duas partes e transformá-las em um perfil T. Em resumo, ter uma grande conhecimento específico da sua área, aquilo em que é especialista, mas ainda assim ter uma ampla parcela de experiências e habilidades fora dela: ou seja, generalistas.

Quem é apenas especialista pode encontrar dificuldades em sair da sua linha de pensamento e enxergar novas oportunidades. Por essa razão, a metodologia T-Shaped prega que é preciso ser multidisciplinar.

Isso torna profissionais completos, capazes de aplicar a sua expertise de maneira criativa, com uma visão sempre atenta ao que acontece em outros mercados.

Quais os impactos da pós-graduação na carreira dos executivos?

De acordo com um estudo da consultoria Produtive, 68% dos executivos bem-sucedidos no mercado já têm uma ou mais pós-graduações. A partir da segunda especialização, evidentemente, esses profissionais começam a buscar maior ramificação de seu campo de conhecimento, em uma tentativa de adquirir uma visão mais sistêmica do mundo empresarial.

Essa visão da capacitação como investimento explica muito do porquê das disparidades entre profissionais de uma mesma área. Enquanto alguns chegam aos 40 anos no topo da carreira, outros amargam a estagnação, ou até mesmo a “expulsão” de sua área de atuação.

Vale lembrar que a mesma pesquisa ainda mostra que quem tem mais de uma pós-graduação tem salários 38% superiores a quem tem apenas uma titulação dessa categoria.

Por analogia, nem precisa dizer que a distância entre parar na graduação e fazer uma pós é imensa, certo? A questão é que, além de fazer uma especialização, também é preciso considerar a possibilidade de estender sua formação. Trata-se de uma tendência mundial.

Como escolher um curso de pós-graduação adequado às suas necessidades profissionais?

A popularização do acesso ao ensino superior trouxe aos profissionais já atuantes no mercado a chance de mudarem os rumos da sua carreira. No entanto, essa ampla quantidade de cursos de pós-graduação aumenta as possibilidades, mas também pede cuidado na hora de tomar decisões.

Não é raro encontrar profissionais com uma ou mais pós-graduações no currículo sem fazer qualquer uso prático delas. Por isso, antes de sair se matriculando em uma pós, o ideal é estabelecer uma meta consciente e realista sobre o que você espera para o seu futuro profissional.

Os cursos de pós-graduação não são iguais. Cada um deles é desenvolvido para ajudar estudantes a cumprirem objetivos específicos.

Por exemplo: seu sonho é ser promovido na empresa, mas faltam conhecimentos específicos na sua área? Ou é abrir o seu próprio negócio? Nesses casos, os cursos mais indicados são os lato sensu (“sentido amplo”), voltados para uma atuação direta no mercado de trabalho corporativo. Nessa categoria se inserem as especializações, os MBAs e os masters.

Digamos, no entanto, que o seu objetivo maior é trabalhar com o desenvolvimento de pesquisas e projetos para as mais diversas áreas. Aqui, os cursos mais indicados são os stricto sensu (“sentido restrito”), que, como o nome sugere, são restritos para a carreira de docência e pesquisa. São eles os mestrados e os doutorados acadêmicos.

Há restrições para fazer uma pós-graduação em outra área?

Em tese, não somente a pós-graduação lato sensu, (voltada ao ingresso direto no mercado de trabalho, com duração média de 1 ano e meio) pode ser em área diferente de sua graduação, mas até mesmo a maioria das especializações do tipo stricto sensu (voltadas à docência e à pesquisa, com duração de 3 a 5 anos) podem ser cursadas por estudantes de graduações diferentes.

Embora isso fique a cargo de cada faculdade, em linhas gerais, saem dessa lista apenas os mestrados cuja área de atuação implique em alguma habilitação específica (caso da Medicina).

No entanto, até mesmo profissionais dessas áreas estão investindo em formações que não tenham ligação direta com o que aprenderam na faculdade, mas que na prática ajudam a melhorar a sua atuação profissional.

Médicos que almejam trabalhar na coordenação de hospitais e clínicas, por exemplo, podem se beneficiar com uma formação em gestão de empresas ou em gestão de pessoas. O mesmo vale para psicólogos que sonham em construir uma carreira trabalhando com crianças e podem investir em uma especialização na área de educação.

Ou até mesmo engenheiros que desejam atuar em mercados internacionais e podem investir em um curso de comércio no exterior ou relações internacionais. Esses são apenas alguns exemplos dentre uma gama de possibilidades!

Em geral, em relação às pós-graduações lato sensu, como especializações (centralizadas no aprofundamento em uma área) ou MBA (com foco nos negócios e no aprimoramento das estratégias de gestão para executivos), não somente é possível diversificar seu campo de estudo, como trata-se de uma decisão inteligente e que vem se tornando um caminho sem volta no mercado de trabalho.

E os requisitos para fazer isso acontecer é mais fácil do que muitos profissionais imaginam. Mas isso é algo que explicaremos mais à frente.

Quais as motivações de quem faz uma pós-graduação em outra área?

Mudar o foco da carreira, dar mais amplitude ao seu campo de formação ou unir conhecimento de áreas distintas: essas são algumas das razões para fazer uma pós-graduação em uma área diferente da formação do profissional.

Isso sem falar na vantagem de ter duas áreas possíveis de atuação, algo que, como estratégia de recolocação profissional, é excelente. E os frutos desses investimentos são visíveis ainda durante o curso.

Imagine, por exemplo, a valorização profissional de quem tenha graduação em Contabilidade, atue na área de compliance e decida fazer uma pós-graduação em Direito? Certamente, teria uma imensa vantagem sobre seus colegas de formação monotemática, concorda?

E o que dizer de um Economista que decida fazer uma especialização em Gestão, podendo ainda dar maior ênfase em uma dessas 5 áreas: Finanças, Marketing, Negócios, Pessoas ou Projetos?

Dominar em 360° a dinâmica empresarial o tornará mais competitivo, mais preparado para ganhar uma promoção, buscar uma colocação profissional melhor no mesmo segmento ou mesmo mudar de área.

Pois bem, esse é, em última análise, o objetivo de uma especialização: torná-lo mais adaptado aos desafios multifacetados do mercado. Em resumo, fazer uma pós-graduação em outra área dá ao profissional:

  • duplicação nas possibilidades de colocação/recolocação profissional.

  • chance de mudar de área (da Gestão para a Economia, do Jornalismo para o Marketing, da Contabilidade para a Atuária etc.);

  • oportunidade de se tornar um profissional multidisciplinar.

  • sinalizar ao mercado que você não está acomodado;

  • ampliação e maior diversificação de seu networking;

  • visão mais ampla do universo empresarial;

  • maior domínio e capacidade de proposição de soluções aos desafios propostos pela empresa.

Ganhar mais conhecimento na área ou mudar de carreira são as principais possibilidades trazidas pela pós-graduação. Mas é preciso apenas ter cuidado com a regulamentação das profissões. Para serem exercidas, muitas delas exigem além do diploma de graduação, um registro no órgão da classe.

Por essa razão, complementaridade de conhecimentos é um parâmetro importante para escolher uma pós-graduação. Não adianta investir em um curso na área de nutrição, por exemplo, se você não possui diploma na formação ou registro no Conselho Regional de Nutricionistas (CRN).

Quais são os requisitos para fazer uma especialização ou um MBA em outra área?

Cada instituição de nível superior define as próprias regras para selecionar os alunos para seus cursos de pós-graduação.

A Fundação Dom Cabral, por exemplo, eleita pelo jornal britânico Financial Times como a 12ª melhor escola de negócios do mundo, possui os seguintes requisitos para matrícula em seus cursos de pós-graduação (como a especialização em Gestão, por exemplo):

  • preenchimento da ficha de inscrição;

  • entrevista de seleção (individual). Para participar da entrevista, é preciso que o candidato tenha completado a sua graduação.

Documentos Necessários para a entrevista:

  • Curriculum Vitae atualizado;

  • histórico escolar (cópia).

  • Documentos necessários para a matrícula:

  • diploma de conclusão de curso superior (Licenciatura Plena ou Bacharelado), ou diploma de conclusão de curso sequencial de Formação Específica (original e cópia frente e verso);

  • documento atual com foto e CPF.

E quanto à docência?

Mesmo com uma carreira encaminhada dentro do mundo corporativo, muitos profissionais ainda visualizam a oportunidade de trabalhar com docência como uma possibilidade. As leis que regulamentam a educação no Brasil seguem uma série de regras básicas, as quais é importante entender, pois elas exigem formações e conhecimentos específicos para cada área de ensino.

Em geral, dos professores da educação infantil e ensino fundamental I, que lecionam para crianças até 5º ano, a maioria das instituições exige uma formação específica em Pedagogia. Com essa formação, o profissional também é capaz de atuar em creches e pré-escolas.

Já para o ensino fundamental II, que vai do 5º até o 9º ano, o profissional precisa ter uma licenciatura em determinadas áreas do conhecimento, que serão abordadas na preparação do estudante para a universidade. São elas Ciências Biológicas, Letras, Física, Química, Matemática e Geografia. Ao terminar a graduação, o profissional já está habilitado para dar aulas.

No entanto, diferente do que muitos pensam, para ser um professor de ensino técnico ou superior não é necessário ter uma formação específica em Pedagogia. No caso dos cursos técnicos, qualquer profissional com um diploma em licenciatura ou bacharelado e, em determinados casos, uma especialização lato sensu, está habilitado a lecionar.

A mesma ideia vale para os cursos superiores. A diferença está nas exigências das instituições. Enquanto as faculdades privadas pedem uma especialização lato sensu, as universidades públicas exigem uma pós-graduação stricto sensu, que são os mestrados e doutorados.

Já deu para perceber que não há muito segredo, nem burocracia, certo? Fazer uma pós-graduação em outra área exige apenas esforço, disposição em fazer um investimento curto com retorno para a vida toda e muita vontade de crescer na carreira! Vale a pena.

E para quem a pergunta “posso fazer pós-graduação em outra área?” ainda não saiu da cabeça, esperamos que este post tenha sido esclarecedor. Para aprender ainda mais sobre o assunto, confira também o que considerar antes de escolher o seu curso!

Deixe um comentário

Por favor, seja educado. Nós gostamos disso. Seu e-mail não será publicado e os campos obrigatórios estão marcados com "*"