Fazer uma segunda graduação ou uma pós: o que é melhor?

Você já está no mercado de trabalho, tem uma certa experiência, mas sente que precisa avançar nos estudos para conquistar novas oportunidades. As opções são cursar uma segunda graduação, ampliando sua formação universitária para uma área complementar à sua, ou então partir para uma pós-graduação, especializando-se em um segmento específico. Na dúvida entre graduação e pós-graduação, que escolha tomar?

Cada decisão tem seus prós e contras e é sobre isso que vamos falar no post de hoje. Esperamos que este comparativo ajude você a tomar a melhor decisão para a sua carreira!

1. Aspectos que você deve levar em consideração

Ingresso

Você sabe que para fazer uma segunda graduação terá que passar no vestibular antes. Dependendo da instituição escolhida, terá ainda que fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Seja qual for a área, a concorrência é bem grande. Por isso, o processo seletivo pode ser mais desgastante.

Por mais que a pós também seja bastante criteriosa nesse sentido, o processo para que você ingresse em uma instituição de qualidade não é tão pesado. Na especialização, você escolhe o curso que deseja fazer, realiza a inscrição e apresentação do currículo, e participa de uma entrevista para avaliação de perfil e alinhamento de expectativas para definir se é isso mesmo o que você quer.

No mestrado ou doutorado, o rigor do processo seletivo aumenta um pouco mais, exigindo a apresentação de um bom projeto de pesquisa, a escolha de um orientador e uma linha de investigação.

Duração

Os cursos de graduação têm duração média de 4 anos e estão focados na formação geral do profissional, o que exige uma dedicação maior, com aulas praticamente todos os dias. Se você gosta de estar no ambiente acadêmico, compartilhando conhecimentos e experiências, essa é sempre uma boa ideia, afinal, são muitos os projetos de sucesso que saem diretamente dos cursos de graduação.

Na especialização ou no MBA, você tem aulas em dias alternados na semana, durante aproximadamente um ano e meio. Com essa agenda, pode coordenar as aulas com outros compromissos pessoais e profissionais, tendo mais tempo para se dedicar à carreira.

Na pós-graduação stricto sensu, que engloba os cursos de mestrado e doutorado, a duração pode se prolongar até 5 anos, dependendo do país em que esteja. Além disso, há a possibilidade de fazer os famosos doutorados sanduíche, oferecidos graças a parcerias entre instituições brasileiras e estrangeiras.

Networking

Na vida profissional, é de extrema importância que tenhamos bons contatos para levar adiante projetos, oportunidades de carreira e parcerias. E essa relação começa na faculdade, onde você se conecta com colegas pela afinidade, levando essa amizade para além da sala de aula.

Nas especializações ou MBAs, esse networking se constrói bem mais focado na sua área de atuação, já que você compartilha o curso com profissionais que têm os mesmos objetivos que você. É um bom momento para construir uma comunidade de profissionais com interesses em comum.

Você pode tirar maior proveito dessa relação construindo um bom networking para encontrar profissionais competentes para sua empresa e, claro, ser encontrado para novas oportunidades de carreira. Se quiser ir mais a fundo na relação entre especialização e networking, leia nosso post sobre o tema.

No mestrado e no doutorado, sua jornada se torna um pouco mais solitária, mas nada impede que você conheça pessoas importantes durante as aulas. É quando você começa a desenvolver sua dissertação ou tese que cada aluno fica mais focado e mantém uma relação mais estreita com o orientador.

Profundidade do conhecimento adquirido

Na segunda graduação, você terá conteúdos amplos e visões gerais sobre diversas áreas. Imagine-se como um aluno de Administração, sendo que você já é formado em Arquitetura, por exemplo.

Serão 4 anos vendo conceitos de diversas áreas, como finanças, marketing, gestão de pessoas, contabilidade e economia. Depois de concluir o curso, você estará apto a se especializar em uma dessas áreas ou então se tornar administrador-geral de uma empresa.

Na pós-graduação, você pula essa etapa de conhecimentos gerais, indo direto ao ponto que realmente o interessa. Se seu intuito é se especializar em finanças para escritórios de arquitetura, pode optar por uma pós-graduação em gestão com ênfase em finanças, o que te dará o conhecimento necessário para seguir com sua carreira no rumo que deseja.

Resultados

Se você almeja resultados no curto prazo, como uma promoção, o ideal é partir para a especialização ou MBA, devido à duração e ao foco desses cursos. Entretanto, a busca por uma mudança de carreira pode ser beneficiada por uma segunda graduação.

Mas lembre-se: por essas e outras, ter seu objetivo de carreira definido é essencial para atingir os resultados que deseja.

Satisfação profissional

Esse quesito é bastante particular. Há quem goste de estar nos bancos universitários e trocar experiências com os mais jovens. Muitos profissionais recorrem a uma segunda graduação porque, de início, não conseguiram ingressar na carreira que queriam ou então porque sentem que escolheram a profissão errada e desejam reorientar a carreira com uma nova graduação. Por outro lado, outros preferem fazer duas pós-graduações no mesmo tempo em que fariam uma nova graduação.

Os motivos para essas divergências são igualmente variados: assumir cargos de liderança mais rápido, migrar de área dentro da empresa ou desenvolver novas competências com maior velocidade, por exemplo.

O segredo para uma boa escolha está em perguntar a si mesmo o que deixaria você mais satisfeito, antes de escolher entre uma segunda graduação e uma especialização.

Remuneração

A remuneração para quem tem 2 graduações não difere muito para quem tem apenas um curso universitário. Um analista administrativo ganha algo semelhante a um analista financeiro, por exemplo. Já um especialista em finanças corporativas certamente tem uma remuneração maior do que um analista. Afinal de contas, ele investiu em um conhecimento mais aprofundado.

Quem opta pelo mestrado ou doutorado também terá uma remuneração diferenciada, especialmente se seguir a carreira acadêmica — mesmo que em tempo parcial. E, de fato, muitos profissionais permanecem no mercado, atuando em empresas e dedicando parte do seu dia a ensinar em universidades.

Valorização no mercado

A valorização de 2 diplomas de graduação em contraste com um diploma de graduação e um certificado de pós-graduação varia muito de setor para setor e de empresa para empresa. A dica aqui é pesquisar no segmento em que você atua (ou pretende atuar) o que as empresas estão pedindo como diferencial.

Como ressaltamos, porém, a especialização traz uma remuneração maior e a percepção de que você está avançando na carreira, o que pode ser um fator determinante para alcançar novas oportunidades.

2. Quando escolher cada opção

Segunda graduação

Sem dúvidas, existem circunstâncias em que a segunda graduação é a melhor alternativa. Você deve escolher esse caminho quando estiver:

  • tentando mudar de área, seguir uma nova carreira;
  • entrando em uma área totalmente nova, para a qual ainda não existe um curso específico.

Vamos entender melhor com exemplos?

Para a primeira situação, imagine um sujeito A que é formado em Contabilidade e trabalha em uma indústria de aparelhos eletrônicos. No trabalho, ele tem contato com colegas que trabalham no chão de fábrica e descobre que gosta muito de aprender sobre técnicas de produção.

Então, para perseguir uma carreira nessa área, ele precisa retornar à faculdade e fazer uma segunda graduação — nesse caso, em Engenharia de Produção.

Para a segunda situação, que é bem mais incomum, imagine um sujeito B que é formado em Administração de Empresas. Esse sujeito tem uma ideia e decide usar conceitos e técnicas da Pedagogia para aplicar à Gestão de Pessoas. Mas ele não encontra nenhuma pós-graduação reunindo essas duas áreas. Então, a melhor alternativa é voltar para a faculdade e fazer a graduação em Pedagogia.

Essa segunda situação é mais comum quando você quer inovar muito e tem uma ideia que ainda não se consolidou bem como área de trabalho. No passado, um bom exemplo disso foi a Linguística Computacional, uma área que processa a linguagem natural para aplicá-la à inteligência artificial. Essa é a área que cria chatbots, robôs capazes de conversar.

Quando a Linguística Computacional começou a se desenvolver, não havia cursos específicos sobre ela. Dessa maneira, para trabalhar na área, era preciso fazer a graduação em Linguística e uma segunda graduação em Engenharia da Computação, por exemplo. Hoje, já é possível encontrar programas de pós (lato ou stricto sensu) em Linguística Computacional.

Pós-graduação

Na maioria dos casos, investir em uma pós-graduação é a melhor alternativa para quem já é formado e quer estudar mais. Veja em quais circunstâncias você deve buscar uma pós:

  • para aprofundar os conhecimentos adquiridos na faculdade;
  • para aumentar suas chances de conseguir uma promoção;
  • para abrir as portas a novas oportunidades de emprego.

Vamos entender cada uma delas?

A primeira situação vale para qualquer pessoa. Quando você faz a graduação, tem cerca de quatro anos para aprender sobre todo um campo do saber, uma ciência. É pouco tempo. Portanto, a maioria dos assuntos você apenas aborda superficialmente.

É aí que entra a pós-graduação: ela oferece a oportunidade de aprofundar seus estudos em algum tópico específico. E não existem limites, você pode fazer quantos cursos de pós quiser em sua vida. Assim, você aprende mais sobre os assuntos que despertam seu interesse.

Vamos à segunda situação, com mais um exemplo. Em uma empresa de tecnologia, temos dois sujeitos — A e B — que trabalham no setor de desenvolvimento de produtos. Os dois são formados em Engenharia, os dois trabalham na empresa há cinco anos, os dois apresentam um bom desempenho, são motivados e têm um relacionamento saudável com os colegas. A única diferença entre eles é que A fez uma pós-graduação em Gestão de Pessoas, e B, não.

Então, surge uma vaga para liderar uma equipe no desenvolvimento de um novo produto. A e B estão na disputa por essa oportunidade, qual dos dois vai conseguir a promoção? Com certeza, A está com a vantagem, porque além do conhecimento técnico ele também tem noções gerenciais que são indispensáveis para o cargo!

Perceba que a pós-graduação, sozinha, não vai garantir uma promoção. Mas ela também pode ser o fator decisivo, especialmente quando você está competindo com outros profissionais que apresentam um perfil de alto potencial.

Para finalizar, a quarta situação. Se você quer voltar à sala de aula com a esperança de encontrar novas oportunidades de emprego, então a pós-graduação é a escolha ideal. Na sua turma, você vai conhecer vários profissionais, cada um deles com contatos. Desenvolvendo uma boa estratégia para se relacionar com os outros alunos do curso de pós, você ganha muita visibilidade profissional. 

Assim, imagine que o sujeito A quer encontrar um novo emprego. Ele está fazendo uma pós-graduação e estuda junto com funcionários de várias empresas. Basta enviar uma mensagem no grupo de Whatsapp da turma e perguntar se alguém está sabendo de vagas abertas na sua área.

Além de conseguir a indicação das vagas, A ainda pode receber recomendações dos seus colegas, que vão ajudar a impressionar os recrutadores. Assim, sua recolocação profissional será mais simples e rápida.

Vale a pena comentar que isso não acontece no caso da segunda graduação, por um motivo muito simples. Dentro das salas da graduação, são poucos os alunos que já possuem experiência profissional. É claro que você vai estabelecer contatos, mas eles terão baixo potencial a curto prazo, pois seus colegas ainda não podem apresentar você a gestores de empresa ou recrutadores.

E o sujeito A ainda pode virar a mesa e decidir começar seu próprio negócio e buscar um sócio na sua turma de pós. Afinal, é muito mais fácil formar parcerias quando você tem algum elo em comum com a outra pessoa.

Neste post, você conferiu as principais diferenças entre graduação e pós-graduação, do ponto de vista profissional, e entendeu quando vale a pena escolher uma ou outra. Mas tomar essa decisão é um passo importante e você só deve bater o martelo quando todas as suas dúvidas estiverem esclarecidas. Ainda não tem certeza se deve fazer a segunda graduação ou uma pós? Então, entre em contato com a Fundação Dom Cabral.

3 Comentários

  1. Deixo aqui o relato de um histórico pessoal, espero que ajude.

    Atualmente tenho cargo de supervisor em uma empresa multinacional, somente hoje vejo que a escolha de fazer uma 2ª graduação em mesma área de conhecimento não valeu muito a pena, devido meus ganhos financeiros terem pouco aumento, mas deixo claro o quanto foi importante as aulas e as trocas de conhecimentos, especificamente na facudade municipal onde estudei obtivemos excelentes estudos de casos e troca de experiencias alunos x alunos, alunos x professores e somente por isso eu não me arrependi.

    Ganhos financeiros todos estamos sujeitos a deixar de ganhar, já o aprendizado ninguém irá remover de meus dias de aula e que hoje aplico em meu trabalho e sou muito grato por estar próximo de obter minha 2ª graduação, ao longo prazo acredito que irei ter uma carreira melhor dessa maneira e em breve também irei fazer uma pós-graduação on-line.

    Att. Marcel Marchiori.

  2. e se quiser muito prestar concurso pùblico que exige graduação especìfica que não possuimos, então, vale a pena melhor cursar nova graduação? A pòs nesse caso não ajuda

  3. e se quiser prestar concurso pùblico que exige uma graduação que não temos, a pòs não ajuda. Vale então a pena fazer uma segunda (ou terceira) graduação?

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