Inteligência emocional: como e por que desenvolver para se dar bem na carreira

Preocupação excessiva, descontrole, irritação frequente no ambiente de trabalho: a ausência de inteligência emocional prejudica o raciocínio, leva a atitudes impensadas e pode colocar por água abaixo seu projeto de carreira.

Pensando nisso, trazemos informações relevantes para você entender como lapidar seus sentimentos e não deixar seu coração sabotar sua trajetória. Confira agora mesmo!

O que é inteligência emocional?

Inteligência emocional tem relação direta com a habilidade de saber lidar (em pleno autocontrole e pensamento estratégico) com um ambiente em que a única certeza é que tudo pode mudar no próximo segundo.

Seus colegas de trabalho podem não agir como você esperaria; suas metas podem não ser atingidas como seu superior hierárquico exigia; ele próprio pode pressioná-lo de forma que você não previa antes de ingressar na empresa. Como suportar as mudanças, a pressão e as adversidades mantendo a frieza e a capacidade de reação?

Segundo Daniel Goleman, psicólogo norte-americano que criou o termo, inteligência emocional é a habilidade em reconhecer e lidar com os sentimentos, tanto com os seus quanto das pessoas que o cercam.

Ainda de acordo com o especialista, assim como o ser humano tem a capacidade de absorver informações para transformá-las em conhecimento (aprimorando sua maturidade), também podemos filtrar o emaranhado de sentimentos que borbulham conflituosamente dentro de nós a fim de prover externamente o contorno de que precisamos para encarar os desafios que nos aparecem, sempre com racionalidade.

É por isso que quem não tem inteligência emocional, ainda que detenha múltiplas competências técnicas, tende a ter dificuldades para crescer na carreira. A falta dessa capacidade gera ruídos de comunicação, repetidos episódios de desentendimentos com colegas de trabalho e mácula na reputação corporativa — resultando em uma imagem de desequilíbrio e de fraqueza diante de cenários adversos.

Por que a inteligência emocional pode ser considerada o desafio crucial das gerações Y e Z?

Os profissionais nascidos em meados da década de 80 (Millennials ou Geração Y) e, principalmente, os que nasceram a partir do final da década de 90 (iGeneration ou Geração Z) desenvolveram sua visão de mundo a partir do acesso pleno à informação e às experiências individuais no universo virtual, fruto de seu contato permanente com as ferramentas tecnológicas modernas, sobretudo a internet. Isso acarreta alterações relevantes em seu comportamento social.

Com maior autonomia e integração permanente a outras realidades, essas pessoas costumam ingressar no mercado de trabalho adotando um comportamento mais questionador e, às vezes, individualista. Além disso, apresentam maior dificuldade de se submeter às relações hierárquicas tradicionais (sobretudo porque muitos dos gestores empresariais ainda são de gerações anteriores, como Baby Bommers e Geração X).

É aqui que entra a necessidade de trabalhar posturas emocionais como a empatia, a resiliência (capacidade de recuperação, força interna) e o “pensar duas vezes antes de tomar uma decisão” — variáveis intimamente ligadas à inteligência emocional.

Quais são as principais dicas para lapidar a inteligência emocional em cada pessoa?

Controle sua impulsividade

Ter atitude diante da vida e não ser passivo em meio a um furacão é até positivo, mas excesso de ímpeto é um convite ao precipício. Nossas reações imediatas costumam depor contra nós mesmos, e é isso que precisa ficar claro na mente do profissional que necessita melhorar os controles sobre seus sentimentos.

Entenda: nossa primeira reação diante de adversidades costuma não ser a mais inteligente. Se você ouviu do chefe um feedback negativo que parece injusto, se seu colega de trabalho o ofendeu ou se você não está sabendo lidar com seus próprios erros (e a pressão que deles decorre), deixe seus sentimentos serem digeridos antes de manifestar-se verbalmente sobre tais fatos.

Segundo Daniel Goleman, quando os cientistas analisaram as razões pelas quais a evolução da espécie humana deu protagonismo tão claro ao nosso psiquismo, constatou-se que, em inúmeros momentos decisivos de nossa linha evolutiva, nosso coração passou a ter ascendência sobre a razão.

São as nossas emoções que nos guiam diante da dor, do perigo ou das frustrações, de forma que precisamos maturar nosso repertório emocional a fim de evitar a autossabotagem — comportamento comum de quem carece de inteligência emocional.

Conheça a si mesmo

O filósofo e estrategista militar chinês Sun Tzu (544-496 a.C.) ensinava sabiamente que

Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.”

Você é uma pessoa colérica (sanguínea) ou passiva (resignada)? Você sente raiva com facilidade? Sente ciúme? Como costuma reagir quando criticado? E se a crítica for em público?

A autoconsciência é um passo essencial para desenvolver sua habilidade de lidar com suas emoções. A raiva, por exemplo, é um sentimento secundário, ou seja, é preciso entender o que está por trás dele. Isso envolve aprender a se autodiagnosticar. Há opções para reagir a uma situação. Então, quanto mais meios temos para lidar com nossas emoções, mais rica nossa vida será e mais adequadas serão nossas decisões.

Internalize o otimismo como a força propulsora de suas decisões

O otimismo é uma força protetora contra a apatia, a depressão ou a desesperança diante dos obstáculos. No universo corporativo, somos defrontados com inúmeras situações desafiadoras, como uma reunião com fornecedores em que só você foi enviado com uma missão, quase obrigatória, de voltar com um melhor contrato, mesmo sabendo da fama de inegociáveis desses parceiros.

Em uma situação com esta, tenha a certeza de que, se você tiver inteligência emocional (que envolve, entre outras virtudes, o otimismo), suas chances de sucesso serão muito maiores. A propósito, existe um valioso estudo feito por Shawn Achor, professor de Harvard, que comprova que os profissionais otimistas tendem a se dar melhor na carreira.

Na verdade, a máxima popular de que só se alcança a felicidade após êxito profissional está invertida: a realidade é que o otimismo permite que seu cérebro perceba mais possibilidades naquilo que está diante dele. Portanto, as possibilidades de acerto são sempre mais elevadas.

Segundo ele, apenas 25% do esforço para alcançar uma meta são do Q.I; os outros 75% vêm da percepção emocional de que é possível atingir o alvo pretendido. E não se trata de superstição. É que esse otimismo ajuda a buscar, com maior fervor, alternativas de vitória e a controlar melhor o estresse.

Aprenda a conviver com a diversidade

Neste momento, estamos falando da importância de treinar sua empatia, ou seja, sua capacidade de colocar-se no lugar do outro. Ela envolve também entender que nossas opiniões nem sempre são as melhores e que, em uma discussão argumentativa, nossos pontos de vista precisam ser apresentados com cautela para não magoar nem ofender ninguém.

Se temos opiniões divergentes de nossos colegas, isso é ótimo porque podemos crescer com elas, dado que somos o eco das muitas vozes que nos cercam. Aprender a conviver com a diversidade de modos de viver, de visões de mundo e de opiniões é essencial no processo de lapidação de nossa inteligência emocional.

Um exercício interessante para adquirir essa habilidade mais facilmente é pedir para ser incluído em projetos multifuncionais — projetos temporários compostos por funcionários de diversos setores e formações. Essa experiência ajudará você a ver outras formas de pensar e a treinar sua capacidade de ouvir/respeitar ideias distintas.

Treine seu cérebro para reagir à pressão

A ansiedade esquarteja o intelecto. Em uma atividade de alta complexidade e pressão — como a dos controladores de voo, que detêm poucos minutos para tomar decisões e indicar direcionamentos cujos erros podem colocar em perigo centenas de vidas —, a alta ansiedade é causa certa de iminente fracasso.

É preciso treinar a capacidade de reagir com frieza contra o relógio e contra o erro, mesmo que seu desempenho tenha que tomar forma em público (em uma conferência, por exemplo). Para isso, especialistas recomendam não tomar cada ação de forma fatalista (como se não houvesse segunda chance), lembrar-se de seus sucessos no passado e não pensar no resultado (tal como um acrobata que caminha por um fio esticado no alto sem olhar para baixo).

Dê uma olhadinha no famoso Teste do Marshmallow (que passou a ser usado de formas diferentes em muitos processos seletivos empresariais) e você entenderá a importância do autocontrole.

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