Plano de Desenvolvimento Individual: como usá-lo na vida pessoal e profissional?

Ao longo de nossa vida, projetamos mudanças e buscamos desafios que nos façam evoluir: morar em um país diferente, tirar um ano sabático, comprar a casa própria, conseguir um emprego ou uma promoção, ser uma pessoa ou um profissional mais completo. O segredo para tirar essas projeções do papel? O Plano de Desenvolvimento Individual, ou PDI!

No mundo atual, as possibilidades são tantas e os caminhos tão múltiplos que é comum investir tempo e esforço em ações aleatórias que não nos levam a lugar algum. O PDI surge, portanto, como um guia capaz de ajudá-lo a encontrar o caminho certo.

Se você tem um objetivo em mente e ainda não conseguiu concretizá-lo, talvez o PDI seja útil para você! Saiba qual é a lógica e como funciona esse poderoso mecanismo de desenvolvimento pessoal.

1. O que é o PDI?

O Plano de Desenvolvimento Individual parte do seu nível de comprometimento em relação ao alcance de um objetivo estabelecido, seja ele pessoal, seja ele profissional, e do planejamento que você é capaz de elaborar a partir de uma análise situacional. Trata-se de um mecanismo que fornece, ao mesmo tempo, um mapa e uma bússola para fazer com que você chegue aonde pretende.

Como você já deve ter percebido, tão comum quanto projetar mudanças, é reconhecer que temos os instrumentos necessários para concretizá-las, mas que não sabemos direito como utilizá-los a nosso favor. O PDI nos faz identificar as forças e fraquezas de nosso perfil e agir para potencializá-las (no caso das forças) ou saná-las (no caso das fraquezas).

A lógica do PDI é, portanto: você já possui o material bruto para chegar aonde quer chegar, só precisará aprender a lapidá-lo!

2. Como o plano funciona?

O PDI funciona a partir do estabelecimento de um objetivo específico. Pode ser uma promoção no trabalho, uma recolocação profissional, uma mudança de hábito, a aquisição de uma competência, ou qualquer outra transformação que você julgue benéfica para sua vida ou carreira. Mas esse é só o primeiro passo no processo!

Como o nome “plano” revela, há ainda a definição de metas e prazos para seu cumprimento. A partir do objetivo norteador, você deverá se questionar: “o que devo fazer para chegar lá?” e “ em quanto tempo?”.

Com essas respostas, você vai mapear os desafios a serem vencidos e as habilidades prioritárias a serem desenvolvidas. Você também deve pensar em estratégias de ação, calculando um tempo razoável para sua execução.

3. Quer um exemplo?

Pense em alguém que deseja conseguir uma recolocação profissional, mudando de área e de cargo dentro da empresa em que já atua. A partir da definição desse objetivo, é preciso definir o que deve ser feito e como fazê-lo.

Vamos imaginar que esse indivíduo é um profissional de TI que deseja mudar de carreira, migrando para a equipe de Marketing. Uma das etapas mais importantes, aqui, seria a aquisição de conhecimento e habilidades técnicas pertinentes à área visada, certo?

Ele poderia, portanto, listar suas opções de capacitação (como investir em uma pós-graduação, por exemplo), e mapear o que precisaria rearranjar em sua vida/rotina para tornar isso possível. Desafio: menos horas de lazer e mais tempo dedicado ao estudo.

Digamos que o desenvolvimento de determinadas competências e conhecimentos — como oratória e ferramentas de marketing — sejam as metas. Para cada uma delas, entra a etapa dos prazos que esse indivíduo está disposto a assumir: seis meses? Um ano?

Perceba que, com o planejamento, todas as ações tomadas por esse profissional serão direcionadas para possibilitar a transformação almejada. O restante passa a orbitar um centro, que é o objetivo específico.

4. PDI profissional é o mesmo que PDI pessoal?

Na verdade, o mecanismo é o mesmo, o que muda é a abordagem. Geralmente, quando o PDI é aplicado na empresa para aferir o desenvolvimento de um colaborador e permitir que ele cresça e potencialize suas competências, há um esforço conjunto entre o gestor ou coordenador e o indivíduo.

O plano é elaborado com base em um consenso, e ambos (empresa e funcionário) colaboram para que a evolução aconteça. As metas e prazos também nascem de um acordo, e são revisitadas constantemente para que o progresso seja mensurado.

No fim, ambos ganham: o colaborador que se tornou um profissional mais completo, produtivo e satisfeito, e a empresa, em termos de produtividade e engajamento. Já no âmbito pessoal, como o objetivo estabelecido parte de uma mudança ou esforço internos, o indivíduo é o motivador da transformação e o gestor de sua concretização.

5. Novas metas e prazos podem ser incorporados?

Podem sim, à medida que a situação for evoluindo, é natural que novos desafios e prazos sejam estabelecidos. Por isso é válido, de tempos em tempos, fazer uma análise situacional para medir o progresso alcançado em relação ao esforço feito.

Quais metas foram cumpridas e quais não foram? O que ainda precisa ser trabalhado? São esses questionamentos que possibilitarão que você ajuste o curso e a velocidade de sua iniciativa.

O PDI não foi feito para ser um molde engessado de ação, e sim para funcionar como um mecanismo facilitador de mudanças. A partir dele, aprendemos a separar as prioridades daquilo que pode ser postergado. Por esse motivo, trabalha-se um objetivo por vez.

6. Quais são os principais desafios do PDI?

Um grande desafio associado ao PDI é o nível de comprometimento do indivíduo com o planejamento, com o caminho a ser trilhado até o alcance do objetivo. Afinal de contas, não adianta perder tempo para elaborar o plano se, internamente, você não encontra a motivação para segui-lo. Trata-se, afinal, da força de vontade necessária para sair da própria zona de conforto!

Outro desafio é conseguir enxergar o que é prioridade e o que não é, baseado no momento em que você está e na situação em que se encontra. É preciso adotar uma postura pragmática em relação ao que é possível fazer e o que não é.

7. O Plano de Desenvolvimento Individual é para você?

Antes de se comprometer com metas e prazos, certifique-se que eles fazem sentido para você, que cabem em sua rotina, e que o objetivo é algo que você realmente deseja. O Plano de Desenvolvimento Individual funcionará somente se for elaborado em torno de um objetivo claro e factível, e se há motivação suficiente para que você se comprometa com o programa. Se houver, nada o impedirá de chegar em seu destino!

8. Quais são os principais erros na formulação de um PDI?

Assim como existem melhores práticas para um PDI efetivo, também existem práticas inadequadas, que eventualmente vão prejudicar o desenvolvimento — em vez de alavancá-lo. Vamos listar 7 exemplos dos principais erros, para que você saiba o que não fazer. Fique atento.

8.1. Não incorporar expectativas de comportamento

Um erro comum é esquecer que o desenvolvimento inclui não apenas o que você sabe ou faz, mas também a maneira como você age. E é justamente nesse ponto que muitos profissionais precisam melhorar. Alguns exemplos são dificuldade de comunicação, falta de empatia ou pouca iniciativa própria.

Outro detalhe importante é que, se uma pessoa encontra problemas na carreira devido à forma como se comporta e se relaciona com os colegas, ela provavelmente também enfrenta esses mesmos problemas nos âmbitos pessoal e social. Ou seja, ao investir em melhorias no ambiente de trabalho, também é possível notar uma mudança positiva com a família e os amigos.

Não existem prejuízos em buscar o desenvolvimento na sua forma de ser e agir. Portanto, se você consegue identificar aspectos do seu comportamento que ainda podem ser aprimorados, faça disso uma meta em seu PDI.

8.2. Não incluir estratégias para converter falhas em aprendizado

Ao desenvolver um PDI, você está assumindo a possibilidade de que, em algum momento durante a execução do seu plano, você pode falhar. Embora indesejadas, essas falhas não podem ser “desperdiçadas”, pois são um indicativo de que alguma coisa precisa mudar. O problema é, justamente, que muitas pessoas passam por cima das falhas e seguem em frente, sem aprender nada com elas.

Cuidado para não cometer esse erro pois, basicamente, ele prepara você para falhar novamente e da mesma forma. Em vez disso, trace estratégias para analisar e entender o que motivou cada falha, e inclua-as no seu PDI.

8.3. Determinar metas que não são realistas

O primeiro passo de um PDI é estabelecer suas metas de desenvolvimento. Seja por empolgação, seja apenas por falta de uma percepção realista, algumas pessoas acabam determinando metas fora da realidade. Isso acontece quando a expectativa é incompatível com o seu nível atual de desenvolvimento ou o prazo determinado para atingir a meta é muito curto.

De qualquer maneira, além de inúteis, metas que não são realistas também possuem um risco agregado: elas causam desmotivação. Afinal, por mais dedicação que você coloque no seu PDI, provavelmente não vai atingir os resultados esperados. Pode até começar a duvidar do próprio potencial.

Para evitar que isso aconteça, você não precisa abrir mão das metas mais ambiciosas. Basta usar um pequeno truque: dividir as metas em etapas menores. Assim, você vai atingir seu grande objetivo, no tempo certo e sem infligir nenhuma expectativa irreal a si mesmo.

8.4. Determinar metas sem prazo

Se, por um lado, determinar metas com um prazo muito curto é um problema, por outro, metas sem prazo também são. O motivo é simples: elas são um convite à procrastinação. Já que não existe deadline, você sempre pode começar a agir no seu PDI amanhã… e amanhã… e amanhã.

O pior resultado disso é a sensação — em longo prazo — de não ter saído do lugar. Portanto, se você quiser realmente fazer progresso, estipule datas concretas e específicas. Assuma um compromisso sério de desenvolvimento consigo mesmo.

8.5. Não avaliar constantemente o progresso obtido

Então, você preparou seu PDI, determinando metas realistas e com prazo adequado e bem definido. Começa a seguir as estratégias previstas no plano e vai em frente, com a certeza do sucesso. Um ano depois, decide avaliar seu progresso e percebe que não está nem um pouco mais próximo dos seus objetivos de desenvolvimento. O que aconteceu?

O erro dessa situação é não ter avaliado constantemente seu progresso. Quando você desenvolve o PDI, parte de uma série de pressupostos sobre o que deveria fazer e o que traz melhores resultados. Mas é apenas na prática diária que esses pressupostos vão se provar verdadeiros ou não. Além disso, a maneira como você executa o que planejou também pode estar certa ou não.

Por isso, você deve fazer avaliações frequentes. Dessa maneira, se existe algum elemento do seu PDI que não está bem ajustado, você consegue corrigi-lo rapidamente e garantir que não vai continuar incorrendo nos mesmos erros.

8.6. Não estipular formas práticas de suprir as lacunas

O plano de desenvolvimento individual não pode ser meramente uma folha de papel com os seus desejos. Se você quer realizar suas metas, precisa traçar estratégias. Ou, em outras palavras, formas práticas de suprir as lacunas no caminho entre o seu “eu” atual e o “eu” que você quer atingir. Existem diversas formas de suprir lacunas. A escolha de uma ou outra vai depender do seu perfil e das próprias metas. Por exemplo:

  • buscar mais conhecimento e qualificação, por meio de cursos, treinamentos, eventos, leituras relevantes;
  • estabelecer uma rede de contatos forte, conhecendo novas pessoas que podem inseri-lo em oportunidades valiosas;
  • mudar seu comportamento, cultivando diariamente hábitos positivos.

8.7. Não elaborar um PDI focando na sua situação pessoal

O último erro é acreditar que o Plano de Desenvolvimento Individual pode ser genérico — só que não pode. Entenda que o que funciona para o seu amigo não vai, necessariamente, funcionar da mesma forma para você. É por isso que o plano — mesmo quando faz parte de um projeto de uma organização para os colaboradores — é sempre individual. Procure investir em estratégias que realmente trarão resultados, considerando a sua situação e características pessoais.

Vamos entender melhor, por meio de um exemplo simples. Se você tem a meta de ser altamente produtivo, será que deveria aprimorar sua técnica de controle de agenda ou eliminar todas as distrações (inclusive a agenda) e simplesmente pôr a mão na massa?

A resposta é que nenhuma das duas alternativas está incorreta. Entretanto, dependendo da pessoa, apenas uma delas vai trazer resultados reais. Para alguém que acha fácil planejar, mas sempre procrastina na hora de agir, a agenda pode virar uma desculpa para não trabalhar. Então, focando a primeira opção, o PDI não vai funcionar.

O mesmo vale para o profissional que elabora um plano de desenvolvimento individual para alavancar a carreira. Ele pode optar por uma segunda graduação ou por uma pós-graduação, e as duas são formas válidas de obter maior qualificação profissional. Porém, de acordo com a área em que o indivíduo atua, sua formação anterior e suas ambições, uma delas pode ser mais indicada do que a outra.

E então, gostou de conhecer a lógica do Plano de Desenvolvimento Individual? Então, assine nossa newsletter e acompanhe nossas outras publicações sobre temas relacionados!

4 Comentários

  1. Alessandra Soares de Carvalhosays:

    Olá! Gostei da ideia do Plano de Desenvolvimento e gostaria de aplicá-lo minha carreira

    • Isadora Gontijosays:

      Olá Alessandra,

      Agradecemos o contato e o elogio sobre o post. Disponibilizamos de um e-book gratuito sobre Plano de Carreira, que poderá te auxiliar bastante para aplicá-lo em sua carreira! Ele está disponível no lado direito do nosso blog em “Materiais Gratuitos”. Boa leitura!

      Qualquer dúvida estamos à disposição.
      Isadora Gontijo – Fundação Dom Cabral

  2. Bacana o post! Época oportuna, afinal a era da transição está mais que deflagrada. É preciso se prepara para mudar.. um bom PDI, ajuda e muito!
    Gostaria de receber o e-book de vocês..
    Grata, Alessandra.

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