Plano de negócios: tudo que você precisa saber para criar o seu

 

O conceito de ter um plano, antes de iniciar um empreendimento (em sentido amplo, não apenas econômico) não é nada novo e está fortemente relacionado à noção de aumentar suas chances de sucesso.

Um time de futebol que sonha com a taça sempre cria um plano antes de entrar em campo. Um piloto de avião tem seu plano de voo e um empreendedor (não importa qual dos tipos de empreendedorismo ele adote) tem seu plano de negócios.

Não é tão difícil, portanto, entender, de maneira geral, o que é o plano de negócios. O problema é que muitos empreendedores não conhecem os detalhes desse conceito e muito menos sabem como aplicá-lo na prática. Por que será?

Um dos motivos é justamente que, por parecer algo tão intuitivo, poucas pessoas acham que é preciso explicar mais a fundo. Então, falta informação sobre o assunto. Porém, isso acaba hoje. Neste post, você vai encontrar tudo que precisa saber para realmente colocar um plano de negócios no lugar e funcionando.

Então, está pronto para começar a aprender? Boa leitura!

O que é um plano de negócios?

Para começo de conversa, o plano de negócios é um documento. Ele não pode existir simplesmente na sua cabeça. Esse é o primeiro mal-entendido que precisamos desfazer.

Uma descrição simples do plano de negócios seria: um documento escrito que descreve o seu negócio em detalhes. Em geral, ele é criado antes de o negócio realmente começar a funcionar, por isso falamos em plano: é uma visão para o futuro.

Qual seu objetivo?

O objetivo primário de um plano de negócios é demonstrar a viabilidade da ideia.

Internamente, ele é usado como parte de um processo para chegar a uma proposta extremamente coesa e com alta probabilidade de sucesso. Parece confuso? Não se preocupe, vamos falar mais sobre isso no próximo item.

Além disso, o plano de negócios torna-se um documento usado também externamente.

Se uma empresa solicita investimentos, a pessoa que vai ceder o capital provavelmente pedirá para ver o plano de negócios antes. Se você deseja submeter seu negócio a um processo seletivo para uma aceleradora (o que é muito comum no caso de startups), a apresentação desse plano também é necessária.

Qual é a sua importância para uma empresa?

O plano de negócios, como já vimos, demonstra viabilidade ou evidencia inviabilidade. Portanto, sua grande importância é impedir que você, empreendedor, e toda a empresa que você construir sofra mais tarde com problemas críticos que poderiam ter sido identificados desde o começo.

O que isso significa, em termos mais simples?

No plano de negócios, você descreve e explica cada aspecto do empreendimento, da produção ao marketing, das finanças à logística, das vendas à gestão de pessoas. Durante esse processo, ficará mais fácil identificar pontas soltas no seu conceito.

Imagine, por exemplo, que o seu plano de negócios estabeleça que o marketing vai ser um aspecto central do negócio; que vocês vão apostar em tendências de marketing para atrair clientes e fechar vendas. No entanto, como os custos de produção do seu produto são elevados, você estipula que o setor de marketing receberá apenas 5% do orçamento anual da empresa.

Claramente, essa conta não está fazendo sentido. É arriscado prosseguir sem fazer ajustes, porque o orçamento não é suficiente para realizar todas as ações necessárias para conquistar novos clientes; e, sem novos clientes, a empresa não gera receita e o negócio acaba.

Perceba como essas pontas soltas, que ficam claras na elaboração do plano de negócios, são, na verdade, pontos de risco. Identificando-os, você pode traçar estratégias para eliminá-los. E cada risco eliminado equivale a uma probabilidade mais alta de sucesso.

Quais benefícios o plano de negócios pode oferecer?

O plano de negócios tem uma série de benefícios agregados, que não estão diretamente relacionados ao seu objetivo primário. Vamos conhecer alguns deles.

O primeiro benefício é que ele poderá ser utilizado como base para replicar o sucesso no futuro. Se você tem uma empresa que deu certo e quer criar outra, para que começar o trabalho do zero? Em vez disso, você pode economizar tempo e minimizar os riscos, reaproveitando informações e propostas válidas do plano de negócio já existente para o novo.

O segundo benefício está ligado à visão de longo prazo da sua empresa. Você não precisa usar o plano de negócios apenas como uma descrição do estado atual; ele também pode trazer as estratégias que serão aplicadas para levá-lo de um estado A até um estado B.

Esse é um benefício importante, pois as empresas não podem ser criadas com base simplesmente em uma visão imediata. Do contrário, você talvez não dê a ela condições de se manter ao longo do tempo, de ser uma empresa longeva.

Para que um negócio dure, não adianta repetir o que deu certo no começo; é preciso evoluir, mudar, crescer. Se você sabe disso, pode usar seu plano de negócios para planejar (com o perdão da redundância) os seus passos seguintes, antes mesmo de dar os primeiros.

O plano de negócios também tem o benefício da transparência. Atualmente, muitas empresas são alvo de desconfiança pelo fato de as pessoas que estão de alguma maneira envolvidas com ela não entenderem seu funcionamento.

A criação de um plano de negócios ajuda a esclarecer como a sua empresa conduz suas operações, eliminando dúvidas que prejudiquem a imagem da organização.

É claro que esse documento não será de “domínio público”; do contrário, seria como entregar os segredos do seu sucesso de bandeja aos concorrentes. Porém, algumas informações presentes nele também podem ser usadas para vender uma ideia a sócios e investidores em potencial, a fim de conquistar seu apoio.

Depois de fechar a parceria, o plano de negócios também pode ser revelado para esclarecer as dúvidas dessas pessoas, cuja confiança é indispensável.

Qual deve ser a estrutura de um plano de negócios?

Para ser completo e detalhado, um plano de negócios não pode ter uma estrutura simples. Então, antes que você comece a redigi-lo, é necessário saber quais são os elementos que o compõem.

Capa e Índice

Não há muito segredo em relação a esses dois itens, cuja função é tornar o seu plano de negócios mais apresentável e organizado, para que outras pessoas possam ler.

Sumário executivo

Este é considerado, possivelmente, o elemento mais importante do plano de negócios. Ele traz uma síntese, isto é, um resumo das principais informações apresentadas ao longo de todo o documento. Como o plano tem dezenas de páginas, é a qualidade do sumário que determina se a pessoa que o tem em mãos vai ler o restante ou se vai parar ali mesmo.

Uma boa dica é redigir o sumário executivo apenas depois de escrever o plano de negócios inteiro. Assim, você terá uma visão melhor do que é realmente importante ou não. Lembre-se de que essa seção não deve ultrapassar duas páginas.

Planejamento estratégico do negócio

Esta seção recebe seu nome por um bom motivo, já que ela realmente é focada em estratégia. Portanto, você deve incluir os seguintes itens:

  • visão;

  • missão;

  • valores;

  • metas de curto, médio e longo prazo.

Não se preocupe em explicar como as metas serão concretizadas, pois isso será feito em outras seções do plano de negócios.

Descrição da empresa

Nesta seção, você vai mencionar:

  • nome fantasia, razão social e, se já tiver, o CNPJ do negócio;

  • regime de enquadramento jurídico;

  • endereço onde serão conduzidas as operações;

  • estrutura física necessária;

  • estrutura organizacional, incluindo funcionários e gestores;

  • serviços terceirizados que serão contratados.

Como você pode notar, essas são características objetivas e de caráter prático. Mais uma vez, não entre em detalhes específicos sobre os setores da empresa. Haverá seções específicas para essa explicação.

Produtos e serviços

Fale sobre o que a sua empresa vai trazer para o mercado. Se for um produto, mencione:

  • composição;

  • processo de produção;

  • tecnologias específicas envolvidas;

  • patentes ou marcas registradas;

  • ciclo de vida.

Por outro lado, se for um serviço, você pode abordar:

  • materiais utilizados na execução;

  • procedimentos envolvidos na execução;

  • duração.

Em qualquer um dos casos, você também deve falar sobre padrões de qualidade e riscos envolvidos.

Análise de mercado

Nesta seção, você vai abordar muitos tópicos. Como não seria possível explicar todo o conceito de análise de mercado dentro deste artigo, aqui vai uma versão resumida.

Basicamente, será preciso descrever o cenário socioeconômico geral, os seus concorrentes e os seus clientes. Depois disso, você vai destacar em que ponto o seu negócio se posiciona em relação a cada um deles. Algumas das perguntas que essa seção precisa responder são:

  • o cenário socioeconômico atual é favorável para iniciar um negócio nesse segmento?

  • você tem concorrentes diretos? Tem concorrentes indiretos? Quem são eles?

  • qual é o seu diferencial em relação aos concorrentes?

  • qual é o perfil do seu cliente ideal?

Dentro dessa análise de mercado, você pode usar algumas ferramentas bem conhecidas no mundo dos negócios, como a Análise SWOT e a análise das cinco forças de Porter.

Planos por departamento

Em vez de explicar a gestão empresarial de maneira geral, o plano de negócios detalha o trabalho de cada departamento individualmente. Em outras palavras, cada departamento tem uma seção separada das demais. Entre eles, você pode incluir:

  • plano de produção;

  • plano de marketing;

  • plano comercial;

  • plano financeiro;

  • plano logístico;

  • plano de atendimento ao cliente.

Na seção do plano de marketing, por exemplo, você pode abordar quais serão as estratégias para divulgar a marca e atrair novos clientes. No plano comercial, pode incluir uma projeção de vendas para os primeiros anos do negócio. No plano financeiro, estabelecer como a empresa vai pagar os empréstimos contraídos para sua abertura. No plano logístico, explorar as parcerias que serão utilizadas para levar o seu produto a diferentes partes do país.

Mas e se o negócio vai oferecer um serviço e não há necessidade alguma de logística na sua operação geral? Nesse caso, não é preciso escrever uma seção correspondente ao plano de logística. Perceba que só existem duas regras em relação a como você vai estruturar essas seções: aquilo que for relevante para o negócio que você está criando deve ser incluído; e, quanto mais detalhado, melhor.

Anexos

Alguns elementos são difíceis de incluir no texto do plano de negócios, mas são muito úteis para validar as ideias que ele contém. É o caso de planilhas, gráficos, esquemas. Assim, para não deixar o documento muito poluído e, ao mesmo tempo, preservar as informações que esses elementos trazem, a melhor solução é colocá-los como anexos ao final do arquivo.

A única recomendação é que você não pode se esquecer de incluir referências aos anexos ao longo do texto. Portanto, se o plano de negócios menciona uma previsão de receita do Ano 1, e essa previsão está demonstrada no Anexo A, avise ao leitor onde encontrar a demonstração.

Qual o passo a passo para a criação?

Agora que você já sabe quais são os elementos principais do plano de negócios, vamos falar sobre como é o processo da sua elaboração. Para deixar tudo ainda mais fácil, aqui vai um passo a passo.

1. Coletar as informações

O primeiro passo é buscar informações que sustentem a ideia de negócio que você está desenvolvendo. Elas são especialmente necessárias para a seção sobre Análise de Mercado, já que você precisa comentar informações sobre a situação da economia e da sociedade, a concorrência e os consumidores.

Além disso, para falar sobre produção, também será necessário contar com dados sobre os fornecedores; para falar sobre logística, informações sobre as opções de distribuição disponíveis para as localidades em que você pretende vender seus produtos. E assim por diante.

Muitas dessas informações podem ser obtidas por meio de pesquisas que já foram realizadas e, possivelmente, estão disponíveis na internet. Em caso de informações muito específicas, você pode precisar contratar um profissional ou empresa especializado na realização de pesquisas de mercado.

2. Criar o esqueleto

Este passo é importante porque, conforme a sua ideia de negócio, algumas seções não precisam ser incluídas no plano. Por exemplo, se você pretende criar uma clínica de procedimentos estéticos, falar em logística é irrelevante. Então, ao criar o esqueleto do plano de negócios, você deve refletir sobre quais atividades são pertinentes, até mesmo identificando algumas que nós não discutimos neste post.

3. Distribuir a elaboração

Se você não está empreendendo sozinho, o terceiro passo é distribuir a elaboração do plano entre todos que estão nessa missão.

Geralmente, quando um negócio é fundado por um grupo de pessoas, cada uma delas tem habilidades distintas e, de saída, papéis e responsabilidades distintos. Portanto, a distribuição deve ser feita levando esses fatores em consideração.

Imagine que você vá fundar uma empresa de desenvolvimento de software com mais dois amigos. Você entende da parte técnica, a Antonieta é especialista em marketing, e o Alberto vai cuidar das finanças da empresa.

Nesse caso, faz sentido que você escreva o Plano de Produção, enquanto a Antonieta escreve o de Marketing, e o Alberto, o de Finanças. Outras seções também podem ser distribuídas por afinidade com esse critério; por exemplo, Antonieta poderia escrever também o Plano Comercial, que está fortemente relacionado ao marketing.

A ideia da distribuição não é simplesmente tornar o trabalho mais fácil e ágil. Sua principal função é assegurar que cada seção do plano de negócios seja escrita por uma pessoa que tenha uma perspectiva profissional e realista, aumentando a chance de sucesso.

4. Juntar todas as partes e revisar

O processo de revisão é simplesmente indispensável. E não se trata apenas de uma revisão do texto, mas das ideias. Se houver qualquer incoerência ou se o embasamento for fraco, isso precisa ser notado e corrigido nesse momento.

Vale a pena reforçar que o plano de negócios precisa ter consistência entre suas partes. Não adianta ter um Plano Comercial muito bom e um Plano Financeiro muito bom, se os dois não partem dos mesmos pressupostos nem se baseiam nas mesmas previsões.

5. Elaborar o sumário executivo

Conforme nós já dissemos, o Sumário Executivo é a última parte do plano de negócios a ser escrita — e, também, a mais importante.

A nossa dica é que você tente escrever o sumário executivo pensando em um pitch de negócio, aquela apresentação rápida que você faz quando precisa que alguém com muito dinheiro e pouco tempo invista em sua empresa. Ele deve ser completo e informativo e, ao mesmo tempo, convincente, demonstrando por que o negócio descrito nesse plano vai dar certo.

6. Criar a capa e o índice

Depois de tudo isso, é hora de encerrar com a capa e o índice. E o seu plano de negócios está pronto! Agora, é ir à luta para transformar essa ideia em realidade.

Quais os principais modelos de negócio?

É necessário pensar no modelo de negócio, porque a escolha de um ou outro vai, inevitavelmente, afetar a elaboração do plano. Porém, tenha em mente que a noção de modelos de negócio é bem ampla, pois dá para encaixar muitas categorias aqui. Vamos apresentar alguns exemplos, para que você comece a pensar no assunto.

Franquia

Dentro da franquia, temos a franqueadora e o franqueado. O modelo de negócio da franqueadora é vender um modelo de negócios, bem como as “peças básicas” para implementá-lo, a outras pessoas. O modelo de negócio do franqueado é comprar um negócio já pronto, dedicando-se a colocá-lo para funcionar.

Para o franqueador, a grande vantagem desse modelo é sua escalabilidade. Você pode criar uma marca e expandi-la pelo país ou pelo mundo, sem precisar abrir pessoalmente as novas unidades. Para o franqueado, a vantagem é a segurança de investir em um negócio que já foi testado e aprimorado a fundo, portanto, tendo chances mais altas de sucesso.

e-Business

Esse é um modelo de negócio em que toda a atividade se desenvolve dentro do universo da tecnologia e da internet. Não se trata simplesmente de um canal de vendas, que é o caso do e-commerce. Em vez disso, o próprio produto, o relacionamento com o cliente, o controle financeiro, tudo existe no plano virtual.

Um bom exemplo de e-Business são os serviços de armazenagem de documentos em nuvem. Você paga a uma empresa para que ela guarde seus arquivos em servidores virtuais. Você nunca vê a empresa, nem nenhum funcionário dela, nem os servidores, nem o dinheiro que você repassa para ela. Mesmo assim, existe um negócio ali, fornecendo e recebendo.

Serviços e produtos por assinatura

O modelo de negócio por assinatura, também chamado de modelo de receita recorrente, tem como característica principal criar um vínculo de relação continuada entre o cliente e a empresa.

Esse modelo não é novidade — você provavelmente se lembra das operadoras de celular, de internet e de TV a cabo —, porém, vem se expandindo para inúmeros outros segmentos, como assinaturas de clubes do livro ou de refeições saudáveis.

O grande segredo desse modelo de negócio está na importância do tempo, já que os produtos ou serviços precisam chegar ao cliente de maneira contínua. Portanto, se ocorrem atrasos na produção ou na entrega, você cria um sério problema que pode ameaçar a sobrevivência da empresa.

Startup

Uma startup não é um modelo, na realidade, mas é justamente a palavra para um negócio disruptivo, que rompe com os modelos tradicionais. Então, se a sua ideia não se encaixa em nenhum exemplo desses que acabou de ver, é bem possível que você tenha uma startup em mãos.

Quais as principais dicas para a criação de um plano de negócio eficiente?

Para encerrar este post, confira três dicas:

1. Seja realista

Uma ideia de negócio não é boa se não for baseada em fatos e tiver uma aplicação viável. Cuidado para não ficar tão apaixonado pela sua ideia a ponto de não perceber que ela parte de pressupostos incorretos, por exemplo.

2. Saia da sua cabeça

Mostre o seu plano a outras pessoas, especialmente a empreendedores de maior experiência. Todas as perspectivas podem agregar algo de valor à sua ideia.

3. Prefira uma visão conservadora

O plano de negócios envolve muitas projeções de resultados. Seja sempre conservador. Essa é a maneira mais simples de garantir que você realmente vai conseguir cumprir o que está proposto.

Como você deve ter notado, o plano de negócios é muito importante para uma iniciativa empreendedora de sucesso. Ao mesmo tempo, ele não é simples de fazer. Contudo, fica bem mais fácil elaborar esse documento se você tem um conhecimento sólido de gestão. É por isso que pessoas com uma formação na área são capazes de elaborar um plano de negócios sem sofrimento.

Quer saber como uma pós-graduação em gestão de negócios pode ajudá-lo a elaborar um plano e abrir sua própria empresa? Entre em contato com a Fundação Dom Cabral e deixe nossa equipe esclarecer suas dúvidas!

 

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