Você sabe como fazer uma gestão de riscos eficiente?

Quando pensamos em risco, a associação imediata sempre nos leva a algo ruim, certo? Consequentemente, o conceito de gestão de riscos também é vinculado à negatividade. No entanto (e ao contrário do que muitos pensam), riscos também podem ser positivos! O que diria do risco de ganhar na loteria ou do risco de descobrir algo completamente novo por meio de pesquisa e desenvolvimento?

Com isso em mente, podemos adiantar: a gestão de riscos é o processo pelo qual buscamos maximizar os riscos positivos e minimizar os riscos negativos dentro de determinado contexto. Esse processo é formado por 6 fases: planejar, identificar, analisar, responder, monitorar e controlar os eventos que podem gerar riscos a um negócio.

Como você deve imaginar, não é um processo que começa e acaba em determinado momento. Ele é cíclico, contínuo e altamente importante para quem deseja evitar grandes percalços na gestão da empresa. Nossa missão de hoje é mostrar como fazer uma gestão de riscos eficiente. Curioso? Então acompanhe agora mesmo!

Quais são os componentes do risco?

Antes de entender sua gestão, é preciso analisar o que verdadeiramente significa um risco. Seu conceito começa com a análise de 3 pontos principais, chamados componentes do risco: evento, probabilidade e impacto.

O evento é determinado pela causa raiz, aquilo que gera o risco, bem como por seu efeito, sua consequência. A probabilidade é a chance de que esse risco efetivamente aconteça. Já o impacto é a extensão da consequência, sua importância para a empresa.

Para calcular sua exposição ao risco, basta multiplicar a probabilidade de ocorrência pelo impacto que o evento pode causar. Em um dia de chuva, por exemplo, qual a probabilidade de você se molhar? Alta. E que impacto isso causa: baixo, médio ou alto? Quanto maior a probabilidade de um risco acontecer e maior for o impacto, maior é sua relevância para a empresa.

Lembrando que o risco pode ser positivo ou negativo, ok? Assim, seu objetivo com a gestão de riscos deve ser sempre reduzir a probabilidade de um risco negativo ocorrer, ao mesmo tempo em que procura aumentar as chances de ocorrência dos positivos.

Como identificar os tipos de riscos para a empresa?

Na prática, riscos podem ser considerados incertezas se deles virá algo destrutivo ou uma oportunidade. Levando isso em conta, os riscos podem ser de 3 tipos:

  1. coisas que você conhece;
  2. coisas que você sabe que não conhece;
  3. coisas que você nem sabe que não conhece.

Para as empresas, os eventos desconhecidos exigem um pouco mais de cuidado, pois podem causar danos para as pessoas, para o ambiente e para os resultados, levando-as à ruína.

Pense bem: o que você conhece costuma ser mais facilmente solucionado. Em relação ao que sabe que não conhece, basta procurar conhecer para também resolver com certa facilidade. Em contrapartida, o que você nem sabe que não conhece é que o pegará de surpresa, possivelmente gerando uma crise. E é por esse motivo que a gestão de riscos e a gestão de crises andam de mãos dadas!

A gestão de riscos deve avaliar todo o panorama do mercado em que se insere para tomar as melhores decisões e encontrar as melhores oportunidades, mesmo diante de situações que pareçam negativas.

Tome como exemplo o lobby que vários segmentos de mercado fazem junto ao governo. Um grupo de empresas pressiona para que uma lei seja aprovada: existe uma incerteza aí, uma vez que a lei pode ou não ser sancionada. Essa pressão pode servir como fator motivador para que o risco positivo se sobreponha ao negativo.

O que é a gestão de riscos e qual a sua importância?

Como já adiantamos no início deste post, a gestão de riscos nada mais é que o processo de planejar e aplicar todos os recursos possíveis para reduzir ao mínimo os impactos negativos dos riscos na empresa e elevar os positivos. É como investir na Bolsa de Valores: por mais que você nunca saiba quando uma ação pode despencar, sem conhecimento do mercado, as chances de fazer um investimento ruim aumentam.

De maneira geral, uma gestão de riscos eficiente precisa:

  • proteger as empresas das incertezas do mercado;
  • ter um panorama completo de todos os processos e atividades organizacionais;
  • melhorar o processo de tomada de decisões;
  • considerar as incertezas;
  • fazer com que toda a empresa trabalhe em conjunto;
  • ter um caráter dinâmico;
  • reunir informações baseadas na realidade do mercado e em seu contexto interno;
  • levar em conta o capital humano;
  • basear-se sempre na ética e na transparência;
  • trazer melhorias contínuas aos processos e projetos da empresa.

Diante dessas informações, podemos garantir: aplicar adequadamente a gestão de riscos na sua empresa só trará benefícios, sendo o maior deles a melhora visível na tomada de decisões. Quando você conhece os desafios que vai enfrentar e aplica as estratégias certas para lidar com eles, exerce uma liderança com menos surpresas, cria planejamentos mais eficientes, impulsiona resultados e melhora o relacionamento com as partes interessadas.

Como funciona o planejamento dessa gestão?

Entendida a importância da gestão de riscos, vamos à gestão dos eventos que podem impactar sua empresa? Aqui, o planejamento serve para prever os riscos inerentes a seu empreendimento, de modo a evitar que acontecimentos negativos surjam e, ao mesmo tempo, aumentar as chances de que os riscos positivos ocorram.

O documento que guiará todas as ações de gestão de riscos se chama Plano de Gestão de Riscos (PGR) e deve responder às seguintes perguntas:

  • qual é o procedimento de identificação de riscos (metodologia)?
  • como será o sistema gerencial de riscos (processos e periodicidade)?
  • quem serão os responsáveis pela gestão de riscos na empresa?
  • como os dados serão coletados e analisados?

Na prática, tudo se baseia nos passos que mostraremos a partir de agora. Acompanhe!

Identificação

Essa etapa consiste em identificar os riscos passíveis de acontecer no contexto em que a empresa está inserida. Para isso, é possível usar uma série de técnicas, que vão de brainstormings à análise de processos, passando pela análise de mercado (SWOT) e por entrevistas anônimas (Delphi).

Considere sempre riscos internos e externos à organização, procurando detalhá-los ao máximo para entender todas as variáveis envolvidas. Nesse caso, uma boa técnica a usar é o Diagrama de Causa e Efeito. Depois desse exercício, agrupe os riscos por afinidades — como riscos com fornecedores, com o governo, com a sociedade e assim por diante.

Análise

Nessa fase, você determinará a probabilidade de ocorrência e o impacto de cada risco com o objetivo de classificá-los para tratar os mais perigosos primeiro. Você pode adotar 3 métodos para realizar essa análise:

  1. descritivo: fácil de aplicar, mas não permite mensurar a relevância do risco para a empresa, consistindo em uma análise subjetiva;
  2. qualitativo: envolve a determinação de uma escala (como risco baixo, médio e alto), sendo fácil de aplicar e permitindo formar uma visão comparativa;
  3. quantitativo: é o método mais difícil, mas mais preciso, pois determina o impacto do risco para a empresa em valores reais. Costuma-se calcular o impacto financeiro gerado caso o evento venha a ocorrer.

Depois da análise, você pode passar para a elaboração de uma lista de riscos por ordem de importância. Daí por diante, é só tratá-los, buscando respostas.

Respostas

Esse é o momento de definir sua estratégia de combate aos riscos negativos e de reforço dos riscos positivos. Para ficar mais claro, trata-se do seu plano de ação. Selecione as estratégias, defina as ações a serem realizadas e verifique os seguintes cenários:

  • riscos que não podem ser tratados: aceite o risco e as consequências;
  • riscos que podem ser reduzidos: tome providências para diminuir ao máximo seus efeitos;
  • riscos que podem ser eliminados: elimine por completo a causa raiz;
  • riscos positivos que podem ser maximizados: tome providências para maximizar a probabilidade de acontecerem;
  • riscos que podem ser transferidos: respalde-se com a contratação de seguros, limitando suas responsabilidades nos contratos celebrados e diminuindo sua participação em investimentos, entre outros.

Monitoramento

Com o trabalho de preparo pronto, tudo o que você terá que fazer é monitorar os riscos identificados e aqueles que não puderam ser solucionados de antemão, sempre atualizando seu Plano de Gestão de Riscos.

De fato, a gestão de riscos é um dos processos mais importantes para qualquer organização. Apesar disso, ainda é subestimado pela maioria dos empreendedores. Se você não quer cometer esse erro, vale investir o quanto antes na devida qualificação para gerenciar melhor seu negócio! Uma especialização em gestão, por exemplo, pode trazer um novo olhar não só sobre o tema, mas também sobre outros processos essenciais para a saúde da empresa.

Que erros você não pode cometer?

São diversos os erros que podem comprometer uma gestão de riscos realmente eficiente. Separamos aqui os 5 que mais se destacam. Confira!

1. Não levar a gestão de riscos a sério

O primeiro grande erro da gestão de riscos é justamente não acreditar nela. Muitos gestores simplesmente negligenciam esse passo primordial no processo de tomada de decisões ou esquecem que o trabalho é cíclico. Você não pode, portanto, realizar a gestão uma só vez e acreditar que a empresa estará protegida das mudanças do mercado para sempre.

Por mais que seja clichê, vale a pena relembrar: com a era da informação vem a necessidade de evoluir. Imagine como uma queda inesperada na demanda por seus produtos abalaria a empresa, por exemplo. Como é possível evitar esse cenário? Mudando estratégias de marketing, repensando o relacionamento com o consumidor? Você realmente saberia responder a essa pergunta? Se não, é porque está negligenciando a gestão de riscos.

Gerir riscos é diminuir incertezas, é determinar como a empresa será afetada, principalmente diante da concorrência, diante das evoluções do mercado e dos problemas que venham a surgir.

2. Não levar em conta os contextos interno e externo

Supondo que você entendeu a importância da gestão de riscos e venha aplicando essa estratégia na sua empresa, pense: o que tem levado em conta para isso? Considera as previsões do seu mercado para os próximos meses ou apenas seu próprio orçamento e suas metas?

Independentemente da escolha, você está cometendo um erro. Toda gestão de riscos precisa levar em conta todos os contextos em que o negócio se insere: o interno e o externo. Isso inclui mercado, cenários político e econômico, ferramentas disponíveis, infraestrutura, satisfação da equipe e assim por diante. Considerar apenas um gera escassez de informações e incoerência nas respostas aos riscos que realmente impactam o negócio.

3. Não se planejar

A etapa do planejamento da gestão (que explicamos anteriormente) não pode ser negligenciada, pois envolve os atributos mais importantes para que sua estratégia dê certo: identificação dos riscos, respostas a eles e monitoramento no futuro. Ainda é importante para definir responsabilidades, de acordo com as competências de cada membro da equipe.

Um planejamento cuidadoso também evita alterações excessivas no escopo, que costumam vir acompanhadas de problemas com prazos, alterações no orçamento, desmotivação da equipe e até mesmo queda na qualidade. Mudanças serão sim necessárias à gestão de riscos, mas precisam ser controladas e não ocasionadas por erros de planejamento.

4. Não se comunicar

A comunicação para a inclusão da equipe é fundamental na realização de qualquer atividade de uma empresa. E na gestão de riscos não seria diferente. Nesse caso, no entanto, a comunicação não se restringe a delegar tarefas e dar feedbacks sobre a atuação de um colaborador em uma atividade, mas também a saber ouvir e negociar.

Muitos colaboradores possuem uma visão clara do que um risco representa para a empresa — às vezes, aliás, muito mais que um líder. Isso acontece porque eles lidam diariamente com áreas do negócio em que nem sempre o gestor tem tempo de se aprofundar. E são os riscos desconhecidos que trazem mais problemas, lembra?

Então anote aí: trabalhar de forma integrada, escutar o que o time tem a dizer e considerar as sugestões que os colaboradores oferecem é fundamental para que sua gestão de riscos seja um sucesso!

5. Não saber seus limites

Tentar suavizar em excesso os riscos ou perder muito tempo se preocupando com eles pode atrapalhar outros aspectos da gestão. Relembrando: riscos são incertezas que podem impactar o andamento da empresa e precisam ser pauta de discussão. O problema surge ao tratar situações inusitadas ou com baixa probabilidade de acontecerem como o foco da preocupação.

Esses possíveis eventos realmente devem ser avaliados e mitigados, mas quando o esforço e os custos não excedam os prejuízos, caso venham a acontecer. Para isso, é preciso calcular qual será seu impacto e qual a sua probabilidade.

Um incêndio no prédio da sua empresa é um risco? Sim. Mas qual a chance de ele acontecer? Pequena, provavelmente. Já uma recessão no mercado que venha a diminuir o poder de compra do consumidor nos próximos meses é um cenário mais provável, principalmente diante da situação política no país. Deu para perceber a diferença?

Tenha cuidado com sua lista de riscos e dê prioridade ao que é realmente relevante. Eventos extremos podem sim acontecer, mas não há como prevê-los. Assim, perder tempo se preocupando só trará problemas para sua gestão.

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